O Amapá alcançou um marco histórico para seu agronegócio. Em anúncio realizado durante a 92ª Sessão da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em Paris, na última quinta-feira (29), o estado foi reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação, juntamente com as demais federações do Brasil.
Esforço contínuo garante certificação inédita
Essa conquista é resultado de um esforço contínuo do Governo do Amapá, em parceria com criadores e pecuaristas. A manutenção das campanhas de vacinação contra a aftosa, sempre acima dos 90% estipulados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi crucial para a certificação. A última vacinação, em 2023, garantiu ao estado um índice de 97,32% de imunização dos rebanhos bovinos e bubalinos.
“Esse reconhecimento histórico representa um grande avanço para a defesa agropecuária do estado e abre as portas para o comércio de animais vivos e produtos cárneos do Amapá, elevando o padrão sanitário e a competitividade do nosso rebanho”, destaca Álvaro Cavalcante, diretor-presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Diagro).
As ações do Governo do Estado para erradicar a febre aftosa iniciaram em 2009. Em 2017, uma instrução normativa reconheceu o Amapá como livre da aftosa com vacinação, status certificado pela OMSA em 2018. Desde então, uma série de atividades foi implementada para alcançar o status de livre de febre aftosa sem vacinação, o que incluiu políticas de incentivo ao setor produtivo, campanhas de vacinação eficazes e intensificação das vigilâncias epidemiológicas. Esse status foi reconhecido pelo Mapa em 2023 e, agora em 2025, certificado pelo órgão internacional.
Representando o Amapá na sessão internacional estiveram o diretor-presidente da Diagro, Álvaro Cavalcante, a ponto focal do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA) no Amapá, Rafaela Ferreira, e o deputado estadual e representante do setor produtivo, Jesus Pontes.
Impulso para o agronegócio amapaense
O Amapá possui o segundo maior rebanho bubalino do país, com mais de 250 mil cabeças, conhecidas como "Ouro Negro" devido ao alto valor comercial dos derivados do leite e corte de carnes. A certificação agrega valor ao produto, ao quilo da carne e da arroba do boi na fazenda. Isso melhora a comercialização, estimula mais produtores a investirem no Amapá e incentiva o produtor local a investir em sua propriedade, no melhoramento genético e na reprodução animal, resultando em um aumento significativo da produção.
O que é a febre aftosa?
A febre aftosa é uma doença de rápida disseminação que, quando registrada, exige a interdição da área e o sacrifício de todos os animais para evitar sua propagação, similar à gripe aviária em granjas. Além disso, a confirmação de um caso de febre aftosa impõe severas restrições à comercialização dos produtos. Com a nova certificação, o Amapá se livra dessas barreiras e abre um novo horizonte para seu setor agropecuário.
