Novas informações obtidas pela reportagem do De Bubuia indicam que a ordem para matar as adolescentes em Calçoene partiu de dentro do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen). A informação consta em registro da Polícia Militar e integra as apurações sobre o crime que resultou na morte de Mariana, de 14 anos, e deixou Júlia, de 15 anos, gravemente ferida.
O crime ocorreu entre a noite de sexta-feira (3) e a madrugada de sábado (4), no município de Calçoene. As vítimas foram atacadas em uma área próxima à beira do rio, após estarem em uma residência na companhia de outras pessoas.
O que diz a ocorrência da PM
De acordo com o registro da Polícia Militar, por volta das 0h50, a equipe foi acionada após denúncia de que uma adolescente estava caída em via pública, coberta de lama, sangue e com diversos hematomas, apresentando sinais de tortura.
No local, os policiais encontraram Júlia, de 15 anos, com ferimentos no rosto, pescoço e cabeça.
Ela foi socorrida e encaminhada à Unidade Mista de Saúde de Calçoene. Mesmo com extrema dificuldade para falar, conseguiu relatar quem seriam os autores do ataque e apontar o local onde o crime havia ocorrido, informando ainda que sua amiga Mariana, de 14 anos, teria sido morta.
Segundo o relato prestado à PM, a adolescente sobreviveu após se fingir de morta, o que fez com que os agressores fugissem. Em seguida, ela conseguiu escapar por uma área de mata próxima à beira do rio e pedir ajuda.
Prisões e diligências
Com base nas informações repassadas pela sobrevivente, a Polícia Militar realizou buscas e capturou Alekssander Alves Sarmento, apontado como um dos envolvidos no crime. Outros suspeitos seguem foragidos, incluindo uma mulher que seria mandante do crime.

Durante as diligências, os policiais localizaram o corpo da vítima fatal, Mariana, de 14 anos, às margens do rio.
Ela estava submersa, com duas bicicletas sobre o corpo, apresentava ferimento no queixo, possivelmente provocado por paulada, e a garganta cortada. Próximo ao local, foi encontrado um pedaço de madeira com um prego e manchas de sangue. A Politec foi acionada para a perícia.
Investigação
A ocorrência da PM aponta ainda que a ordem para a execução teria sido repassada por uma mulher de dentro do Instituto de Administração Penitenciária. Até o momento, a motivação do crime não foi oficialmente informada pelas autoridades policiais.
Ligação com facção criminosa
Informações apuradas anteriormente pela reportagem do De Bubuia indicam que as adolescentes tinham ligação com o meio criminoso e que o crime pode estar relacionado à atuação de facção criminosa. A principal linha considerada aponta que uma das vítimas teria mantido envolvimento com integrante de grupo rival, o que pode ter sido interpretado como quebra de regras internas. Essa hipótese é tratada como linha investigativa e segue sob apuração das autoridades.
O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que segue com as investigações e a identificação dos demais envolvidos.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo número 190.
