Discurso de apoio ao autismo contrasta com carta que denuncia abandono
Documento atribuído a professoras relata falta de estrutura e profissionais para inclusão de alunos autistas, em contraste com o discurso oficial do prefeito Furlan. Leia a carta na íntegra.
Uma carta aberta atribuída a professoras da EMEI Meu Pé de Laranja Lima, em Macapá, expôs publicamente a precariedade estrutural e a insuficiência de recursos humanos para atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O documento circulou nas redes sociais e ampliou a repercussão de uma sequência de denúncias envolvendo a causa autista no município.
Em virtude da quadra carnavalesca, as atividades escolares estão suspensas e só retornam na quinta-feira, o que impediu a confirmação oficial da autenticidade do documento junto à direção da unidade até o momento.
Carta denuncia falta de estrutura e profissionais
O texto atribuído às professoras afirma que turmas com média de 23 a 25 alunos chegam a ter entre seis e oito crianças com TEA, incluindo estudantes com nível de suporte 2.
Segundo o documento, a escola não dispõe de professor auxiliar, cuidador ou equipe multiprofissional em número suficiente, além de enfrentar limitações estruturais que comprometem a inclusão segura e adequada.
A carta também destaca que responsabilizar individualmente docentes por falhas sistêmicas é injusto diante das condições enfrentadas no cotidiano escolar.
Criança foi encontrada no chão na sexta-feira (13)
A circulação do documento ocorre após a indignação gerada pelo caso de uma criança autista encontrada dormindo no chão do refeitório da escola durante uma atividade de socialização realizada na sexta-feira (13).
O episódio provocou forte reação nas redes sociais e levantou questionamentos sobre o cuidado e a estrutura oferecidos pela rede municipal.
Antes disso, denúncia por falta de remédio gerou ataques
Horas antes do caso na escola, outra mãe, Amanda, denunciou a falta de risperidona nas Unidades Básicas de Saúde de Macapá. O medicamento é utilizado no controle de crises comportamentais em parte das pessoas com TEA.
A repercussão levou a Prefeitura a divulgar nota confirmando o desabastecimento e atribuindo a falta a dificuldades com fornecedores.
Nota oficial e desgaste público
Em comunicado, o município confirmou a indisponibilidade da risperidona e do medicamento Neuleptil, informando que busca regularizar o estoque.
Mesmo com a explicação, o episódio ampliou o desgaste público, especialmente por ocorrer em sequência a denúncias envolvendo o cuidado com crianças autistas.
Nem mesmo o Carnaval esfriou a pauta. Ao contrário: a sucessão de episódios manteve o tema no centro do debate público e expôs fragilidades na assistência às famílias.
Cobrança ganha peso político
O prefeito de Macapá, Antônio Furlan, e a primeira-dama Rayssa Furlan são pais de uma criança com TEA e frequentemente destacam, em agendas institucionais, a importância da inclusão e do cuidado com a causa autista.
Diante dos acontecimentos recentes, famílias e educadores afirmam que a realidade enfrentada nas escolas e na rede de saúde contrasta com o discurso oficial, aumentando a pressão por respostas concretas e prioridade efetiva às políticas públicas voltadas às pessoas autistas.
Professoras pedem soluções e não culpabilização
A carta convida autoridades municipais a conhecerem a realidade da escola e reforça que a inclusão exige planejamento, investimento e responsabilidade compartilhada.
O documento também pede que a responsabilidade por falhas estruturais não recaia exclusivamente sobre professores que atuam no limite de suas atribuições.
Pauta segue aberta e sob pressão
Pais, educadores e profissionais cobram:
📌 estrutura adequada nas escolas 📌 equipe especializada e cuidadores 📌 fornecimento contínuo de medicamentos 📌 políticas públicas efetivas para inclusão
A reportagem segue aberta para posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Educação e confirmação da autenticidade do documento.
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