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Domingo, 15 de Março 2026

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Educação rompe grades e transforma 2025 no sistema prisional do Amapá

Cinco unidades zeram o analfabetismo e Enem PPL registra salto histórico, marcando um novo ciclo na política educacional do Estado.

Educação rompe grades e transforma 2025 no sistema prisional do Amapá
Entre muros e cadernos, a educação abre caminhos que nenhuma grade consegue fechar. Foto: Aydano Fonseca
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Há anos em que a esperança entra pela porta da frente; em outros, ela precisa atravessar muros altos, corredores estreitos e portas de aço. Em 2025, a educação conseguiu fazer esse percurso dentro do sistema prisional do Amapá e voltou carregando histórias reconstruídas.

Quando a palavra escrita vira gesto de liberdade

No balanço anual divulgado pelo Governo do Amapá, o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) apresentou números que, mais do que estatísticas, soam como pequenas vitórias silenciosas.

Cinco unidades prisionais zeraram o analfabetismo: UPP José Éder, Centro de Custódia Especial, Penitenciária Feminina, e os Centros de Custódia de Oiapoque e Novo Horizonte.

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Foi o resultado direto do Programa Brasil Alfabetizado e do Promei, que levaram o primeiro caderno, a primeira letra e o primeiro entendimento de si mesmo a centenas de pessoas privadas de liberdade.

“É mais do que uma meta pedagógica; é uma medida de segurança”, resume Henrique Lemos, diretor da DRC. “Quando alguém aprende a ler, reduz a vulnerabilidade dentro do cárcere e aumenta a chance de não voltar.”

Por que os números revelam uma virada cultural?

A participação em exames nacionais explodiu:
• +59% de inscritos no Enem PPL
• +223,38% no Encceja PPL

Números assim não surgem por acaso. Eles denunciam um ambiente que, aos poucos, troca a repetição da rotina prisional pela inquietação de quem descobre que pode aprender.

“Estamos vendo uma mudança de cultura”, diz Ozeias Ferreira, gestor da Uned. E, em 2025, essa mudança passou a ocupar mais salas que celas.

Quando o talento atravessa o muro

Da Penitenciária Feminina ao Centro de Custódia, projetos educacionais ganharam vida e repercussão nacional.

Um reeducando amapaense alcançou nota 9,25 no Concurso de Redação da DPU, entre as maiores da Região Norte e do país, prova de que a escrita, quando encontra espaço, surpreende.

O projeto Reescrevendo Histórias, voltado à leitura e interpretação, recebeu reconhecimento no Prêmio VivaLeitura, reforçando que livros, dentro de um presídio, são também pontes.

O que a educação muda quando entra no cárcere?

Ao longo de 2025, a Uned realizou 8.002 atendimentos pedagógicos e profissionalizantes. Cada número representa alguém que encontrou outra maneira de existir no mundo:
- um homem que voltou a escrever o próprio nome;
- uma mulher que fez sua primeira redação;
- um jovem que descobriu a possibilidade de terminar os estudos.

Educar, ali, não é só uma política pública: é uma forma de devolver o futuro.

O balanço confirma um movimento que ainda não cabe nos relatórios. Dentro de um sistema marcado por rotinas duras, a educação abriu frestas por onde a luz entrou devagar, mas entrou.

E, quando a palavra cruza o pátio, ela não volta a ser apenas palavra: vira horizonte.

Se 2025 mostrou alguma coisa, foi isso, até os muros mais altos cedem quando alguém aprende a ler o próprio caminho.

De Bubuia

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