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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Em Santana: segredo de um ano revela aborto e ocultação de cadáver

Mulher confessou ter provocado aborto em casa e, com pai, enterrou bebê no quintal; denúncia por vingança trouxe o caso à tona.

Em Santana: segredo de um ano revela aborto e ocultação de cadáver
Foto: Polícia Civil
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A menina nunca teve nome. Não teve certidão de nascimento, não ganhou roupas de bebê, não foi apresentada à família. Foi abortada dentro de uma casa no bairro Remédios 2, em Santana, no Amapá. Foi enterrada, como quem planta um segredo, no quintal da própria mãe. Durante um ano, a ossada permaneceu ali, imóvel sob a terra, até que a verdade finalmente aflorou, não por remorso, mas por vingança.

Nesta segunda-feira (21), a Polícia Civil indiciou os dois responsáveis por esse enredo macabro: a mãe, de 33 anos, que confessou ter realizado um aborto sozinha, aos sete meses de gestação, e o pai, também de 33, que ajudou a enterrar o corpo e silenciou por um ano.

O caso veio à tona após denúncia do ex-companheiro da mulher. O relacionamento havia terminado e ele não aceitava o fim. Foi a dor narcísica da rejeição, mais do que qualquer arrependimento, que abriu caminho para a revelação do crime.

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A investigação, comandada pelo delegado Antério Almeida, da Delegacia da Infância e Juventude de Santana, confirma que o aborto foi provocado com o uso de diversos medicamentos. A mulher esperou o companheiro sair de casa, trancou a filha de seis anos no quarto e executou, sozinha, o procedimento. Depois, ligou para o homem, que voltou e ajudou a sepultar o corpo no quintal.

Ela não queria mais um filho. Não dele.

Segundo a polícia, o relacionamento era marcado por brigas e agressões. Ele usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de se aproximar da ex por decisão judicial. Hoje, está preso por tráfico de drogas.

"Imediatamente coletamos o material e enviamos à Politec", relatou o delegado, lembrando da descoberta da ossada, com características de um recém-nascido. O laudo pericial da Polícia Científica confirmou a versão da mãe, encerrando o inquérito.

A mulher foi indiciada por aborto ilegal e ocultação de cadáver. O homem, por ocultação e por permanecer em silêncio, mesmo ciente do crime.

A menina, essa, ninguém conheceu. Viveu - se é que viveu - apenas no ventre. Morreu em silêncio, como viveu. Foi sepultada às pressas, sem vela, sem despedida, sem luto. E só voltou a ser lembrada quando a ferida entre dois adultos se transformou em denúncia.

Essa história não tem heróis. Tem uma criança soterrada antes de respirar. Tem uma irmã de seis anos que um dia saberá de tudo. Tem um casal dilacerado pela violência doméstica, pelo medo, pelo ódio e pela omissão. E tem um quintal que agora carrega mais do que terra: carrega o peso de um passado que ninguém queria desenterrar. 

De Bubuia

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