Após quase 24 horas do episódio, a agressão envolvendo o prefeito de Macapá, Antônio Furlan, ainda repercute nas redes sociais e ganhou destaque na imprensa nacional. Portais como UOL, Estadão e Veja, entre outros veículos repercutiram as denúncias, e até a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se manifestou em solidariedade aos profissionais envolvidos.
Exame de corpo de delito desmente versão
O exame realizado pela Polícia Técnico-Científica do Amapá (Politec) na servidora que afirmou ter sido agredida deu resultado negativo, desmontando a versão sustentada por apoiadores do prefeito. Eles alegavam que jornalista Iran Fróes havia atacado a mulher e que Furlan teria agido em legítima defesa.
Um vídeo divulgado nas redes sociais reforça a contradição: nas imagens, o próprio prefeito aparece como autor da agressão, e não os jornalistas.
Prisão e liberação dos jornalistas
Os jornalistas Heverson Castro e Iran Fróes foram presos por volta das 10h da manhã de domingo (17) e só liberados por volta das 20h, após assinatura de um Termo Circunstanciado. Segundo o delegado responsável, não houve crime de gravidade que justificasse a manutenção da prisão.
O advogado de defesa, Maurício Pereira, afirmou que as acusações não se sustentam. “Já temos o exame de corpo de delito da suposta vítima negativo, então está provado que, na verdade, Heverson e Iran foram vítimas de abuso de autoridade, violados em sua prerrogativa profissional, na liberdade de imprensa e na liberdade de expressão. Vamos buscar a apuração dessas violações”, declarou.
Acusações frágeis e versões contraditórias
Entre as denúncias contra os jornalistas, uma mulher chegou a afirmar que teria recebido uma cotovelada. O laudo, no entanto, não constatou nenhuma lesão. Para o advogado, a fragilidade dessas acusações será comprovada no fórum.
O prefeito não se manifestou publicamente sobre o caso. A defesa dele foi feita por aliados políticos. Os vereadores Bruno Igreja e Alexandre Azevedo gravaram vídeos para as redes sociais sustentando que Furlan só teria reagido porque o jornalista Iran Fróes estaria agredindo a servidora.
Essa versão, contudo, é questionada: várias pessoas acompanhavam a agenda oficial do prefeito, incluindo sua equipe de segurança, e nenhuma delas interveio em defesa das mulheres.
Caso segue para a Justiça
Agora, o processo segue para análise judicial, enquanto cresce a pressão por esclarecimentos sobre a conduta do prefeito e pelo respeito ao exercício do jornalismo em Macapá.
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