Com a chegada das férias escolares de julho, a tradicional brincadeira de empinar pipa retorna às ruas, mas com ela, o perigo iminente do uso de materiais cortantes como o cerol e a linha chilena. Diante desse cenário, o juiz Augusto Leite, Juizado Especial Criminal de Macapá, tem reforçado o alerta sobre a natureza criminosa dessa prática e os sérios riscos à vida que ela representa.
O cerol, uma mistura de cola e vidro moído, e a linha chilena, que possui poder de corte ainda maior, transformam uma atividade recreativa em uma ameaça mortal. Esses materiais podem causar cortes profundos em pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas, resultando em lesões graves e até mesmo fatais. Além do perigo direto a pessoas, há riscos de choque elétrico caso a linha atinja a rede elétrica e danos à aviação comercial.
Uso de linhas cortantes é crime
O juiz Augusto Leite lembra que a Lei nº 1.455/05, conhecida como "Lei do Cerol", proíbe o uso de material cortante em linhas de pipas nos logradouros públicos de Macapá. O uso ilegal desses materiais configura crime, com penalidades previstas na legislação, incluindo multas e responsabilização criminal.
“Em casos de adolescentes ou crianças utilizando cerol, os pais ou responsáveis legais podem ser notificados e responsabilizados. Estabelecimentos que comercializam cerol também podem responder por crime”, alerta o magistrado.
Para garantir uma diversão segura, é fundamental seguir algumas recomendações:
- Utilize apenas linhas de algodão, que são menos perigosas.
- Nunca use linhas de fio de cobre, linhas metálicas, cerol ou linha chilena.
- Empine pipas em locais abertos, distantes de fios elétricos, antenas, veículos e pessoas, como campos de futebol e parques.
- Evite a atividade em dias de chuva ou com relâmpagos, pois a pipa pode conduzir energia.
- Nunca tente remover pipas que enrosquem em fios ou locais altos, para evitar quedas e choques.
- Motociclistas devem equipar suas motos com antenas "corta-linha" para proteção.
A população tem um papel crucial na fiscalização e denúncia. O uso ilegal do cerol e da linha chilena pode ser denunciado à Polícia Militar pelo telefone 190.
