Por 15 anos ela viveu como se nada tivesse acontecido. Mudou de cidade, criou rotina, vestiu a capa da vida comum. Mas a polícia não esquece, e muito menos o passado e na manhã desta sexta-feira (29) a acusada de matar o ex-companheiro em 2010, em Anajás (PA), finalmente caiu em Macapá.
Aos 39 anos, mãe dos três filhos do homem morto, ela foi presa após uma denúncia anônima. O detalhe mostra como, às vezes, basta um telefonema para desmontar uma longa história de fuga.
O crime na beira do rio
Tudo começou numa festa ribeirinha. O casal voltava de barco, quando a discussão ganhou contornos de tragédia. Segundo a investigação, o ex-companheiro sacou um revólver calibre .38. A briga virou luta corporal e o disparo acabou atingindo o próprio homem. Ele morreu ali mesmo, no balanço da embarcação.
A versão dela? Legítima defesa. Afirmou que apenas tentou evitar que fosse morta, segurando a arma que estava apontada contra si.
Anos de fuga, vida discreta e prisão em Macapá
Logo após o crime, ela fugiu para Belém. Em 2018, desembarcou em Macapá. Construiu nova vida, longe dos olhos da Justiça. E parecia que daria certo, até que a denúncia anônima cravou seu endereço.
Foi o suficiente para que a equipe da Delegacia de Homicídios (DHPP) batesse à sua porta e colocasse fim a 15 anos de silêncio.
Justiça tardia, mas presente
A prisão da acusada é mais uma lembrança de que o tempo pode até correr, mas os crimes não prescrevem na memória da lei. Agora, ela vai encarar a Justiça cara a cara.
O delegado Leonardo Leite resumiu: “Sem a denúncia popular, seria difícil localizá-la. O caso mostra a importância da participação da sociedade.”
