Às 4h20 da manhã desta segunda-feira (16), a Estação Primeira de Mangueira entrou na Marquês de Sapucaí levando muito mais que um enredo. Levou um estado inteiro.
Sob as luzes do maior espetáculo da Terra, o Amapá deixou de ser ponto distante no mapa para se tornar protagonista diante do Brasil e do mundo.
O desfile apresentou o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”, exaltando a ancestralidade afro-indígena e os saberes da floresta.
Para viabilizar a participação e a construção cultural do projeto, o Governo do Amapá destinou cerca de R$ 10 milhões em apoio institucional à Mangueira, fortalecendo a presença do estado no maior espetáculo cultural do planeta.
O governador Clécio Luís destacou que o desfile projetou o estado para o mundo. “Esse desfile mostrou nossa história, nossa ancestralidade e a força do nosso povo. É um momento de reconhecimento internacional que fortalece o orgulho e abre portas para o turismo e a economia criativa.”
Com cerca de 3 mil componentes, cinco carros alegóricos e alas coreografadas que narravam ancestralidade, resistência e identidade, a Verde e Rosa transformou a avenida em território amazônico.
E quando a bateria esquentou, o coração do Amapá bateu junto.
Quinze tocadores de caixa de marabaixo integraram a bateria da Mangueira, promovendo um encontro inédito entre o ritmo afro-amapaense e a cadência tradicional do samba. O som que ecoou na Sapucaí veio das comunidades negras, dos quilombos e das festas de marabaixo que atravessam gerações.
A presença amapaense também ecoou na voz. A cantora Patrícia Bastos integrou o grupo de apoio ao intérprete oficial, reforçando a identidade sonora do enredo e dando à apresentação uma assinatura cultural inconfundível.
No desfile, membros da família de Mestre Sacaca ocuparam lugar de destaque, levando à avenida o legado do curandeiro e guardião dos saberes da floresta. Entre eles estava Armstrong Souza, filho de Sacaca, que desfilou emocionado ao ver a história de seu pai ganhar dimensão mundial.
“É impossível explicar o que a gente sente. Meu pai dedicou a vida a cuidar das pessoas e preservar o conhecimento da floresta. Ver o nome dele e a cultura do nosso povo sendo respeitados e celebrados aqui é como ver o Amapá inteiro sendo abraçado pelo Brasil”, afirmou.
O desfile apresentou ao público nacional elementos centrais da cultura afro-indígena amazônica, exaltando o legado de Mestre Sacaca, os saberes tradicionais da floresta e a força das comunidades negras e indígenas do estado.
Durante 79 minutos, o Brasil viu:
• o marabaixo ocupar a avenida • a ancestralidade negra ganhar destaque monumental • a estética indígena integrar alegorias e coreografias • a identidade amazônica ser narrada por quem a vive
Nas arquibancadas e diante das telas, o impacto foi imediato. O Amapá, muitas vezes ausente do imaginário nacional, foi apresentado como território de cultura viva, potência ancestral e riqueza simbólica.
Não foi apenas um desfile. Foi um gesto de reconhecimento. Foi o encontro do morro com a floresta. Foi o batuque do Norte ecoando no coração do Carnaval. E quando o último surdo silenciou, ficou a certeza: o Brasil conheceu o Amapá. E o mundo também.
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