O recambiamento de Marujo para o Amapá entrou oficialmente em fase de execução no dia 8 de janeiro de 2026, quando a Polícia Penal de Goiás recebeu um ofício judicial determinando providências para realizar a escolta do preso até Macapá.
José Edno Alves de Oliveira, conhecido como Marujo, é apontado como o mandante da chacina de oito garimpeiros ocorrida em agosto de 2025 na região do Vale do Jari, na divisa entre Amapá e Pará, e deve ser transferido nas próximas semanas, após o prazo judicial de 60 dias já ter sido descumprido.
O que mudou com o ofício de 8 de janeiro
O documento expedido pela Justiça no dia 8 de janeiro de 2026 determinou que a Polícia Penal de Goiás adote as providências necessárias para retirar Marujo do sistema prisional goiano e transportá-lo para o Amapá.
A corporação confirmou que os preparativos para a escolta já estão em andamento, o que representa o primeiro avanço concreto desde que a ordem de recambiamento foi assinada em agosto do ano passado.
Ordem judicial já estava vencida
A transferência de Marujo foi determinada em agosto de 2025 – dias depois dele ser preso - pelo juiz Victor Alvares Cimini Ribeiro, da 1ª Vara Criminal de Luziânia (GO), devido à superlotação da unidade onde ele estava preso.
Na época, o magistrado destacou que a Casa de Detenção Provisória de Luziânia tinha capacidade para 187 vagas, mas abrigava 262 presos, o que colocava em risco a custódia do acusado.
Mesmo assim, Marujo permaneceu em Goiás até janeiro de 2026, quando o novo ofício finalmente destravou a execução da ordem.
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Linha do tempo completa da chacina e do processo
Final de julho de 2025

Garimpeiros passam a negociar áreas de exploração de ouro em um garimpo ilegal no Vale do Jari. Dias antes do crime, ocorre um roubo de ouro na região. Investigadores apontam que as vítimas teriam sido confundidas com os autores desse roubo.
3 de agosto de 2025 — a chacina
Nove garimpeiros são atraídos para uma reunião na comunidade de Porto Itapeuara, distrito de Monte Dourado (Almeirim-PA).
O grupo cai em uma emboscada armada.
➡ Oito são executados
Os corpos são espalhados pela região e às margens do rio Jari. Duas caminhonetes são incendiadas para eliminar provas.
Primeira semana de agosto de 2025
A Polícia Civil do Amapá identifica que o crime teve execução planejada e aponta José Edno Alves de Oliveira, o Marujo, como mandante.
Entre 10 e 15 de agosto de 2025
São presos sete executores:
- 5 policiais militares
- 1 guarda civil municipal de Laranjal do Jari
- 1 garimpeiro
16 de agosto de 2025
Marujo é preso em Samambaia (DF) em operação conjunta das polícias do Amapá, Goiás e Ministério da Justiça e levado para o presídio de Luziânia (GO).
20 de agosto de 2025
A Justiça de Goiás autoriza o recambiamento para o Amapá por superlotação no presídio.
Outubro de 2025
O prazo de 60 dias termina sem que a transferência seja realizada.
Setembro de 2025
A defesa tenta impedir o recambiamento alegando problemas de saúde.
O Tribunal de Justiça do Amapá nega habeas corpus.
Novembro de 2025
O processo é transferido do TJAP para o Tribunal de Justiça do Pará, após confirmação de que o crime ocorreu em território paraense.
Dezembro de 2025
Os oito réus seguem presos preventivamente, aguardando julgamento pelo Tribunal do Júri.
8 de janeiro de 2026
A Polícia Penal de Goiás recebe ofício determinando o início da escolta de Marujo ao Amapá.
Onde Marujo vai ficar
Após o recambiamento, Marujo será levado para o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), onde ficará à disposição da Justiça do Pará, que conduz o processo criminal.
