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Segunda-feira, 11 de Maio 2026
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Ministério Público diz que gestão Furlan ignorou por 5 anos a crise do lixo em Macapá

Decisão confirma colapso na limpeza urbana após 5 anos de alertas ignorados; agora o município terá 15 dias para apresentar plano sob pena de multa. Veja os documentos.

Ministério Público diz que gestão Furlan ignorou por 5 anos a crise do lixo em Macapá
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Não foi um problema novo, nem isolado. A crise da limpeza urbana em Macapá virou caso de Justiça porque, segundo o Ministério Público, ela se arrasta há mais de cinco anos sem solução efetiva. A prova disso veio em tempo recorde: a ação civil pública foi protocolada em 29 de abril de 2026 e, no dia seguinte, a 1ª Vara da Fazenda Pública concedeu tutela de urgência, reconhecendo risco à saúde e ao meio ambiente. 

LEIA A AÇÃO MOVIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

A decisão determinou que o Município apresente, em até 15 dias, um plano detalhado de limpeza urbana, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 50 mil. 

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O que diz a decisão judicial

Ao analisar o caso, o juiz apontou dois elementos centrais: probabilidade do direito e risco de dano imediato.

LEIA A DECISÃO DA JUSTIÇA

Os documentos anexados mostram acúmulo de lixo em vias públicas, falhas no serviço de coleta e descarte irregular de resíduos, cenário que, segundo o próprio Judiciário, pode gerar impactos diretos à saúde pública e ao meio ambiente. 

Mas, em vez de mandar limpar diretamente os pontos críticos, a Justiça seguiu entendimento do STF e obrigou a Prefeitura a apresentar um plano estruturado, com:

  • áreas prioritárias
  • periodicidade da limpeza
  • recursos humanos e materiais
  • medidas para evitar reincidência

18 processos, 5 anos e nenhum resultado efetivo

A ação do Ministério Público não nasceu do nada. Ela é resultado de um acúmulo robusto de provas:

  • 18 procedimentos administrativos abertos entre 2021 e 2026
  • denúncias recorrentes de “lixeiras viciadas” e descarte irregular
  • dezenas de ofícios sem resposta da gestão municipal
  • reuniões sem resultado prático
  • um termo de compromisso assinado e descumprido
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Os registros mostram um padrão claro: notificações feitas, prazos dados… e silêncio administrativo da gestão passada como resposta. 

O ponto mais grave: compromisso assinado e ignorado

Em dezembro de 2025, a Secretaria de Zeladoria Urbana chegou a assinar um termo se comprometendo a resolver os problemas em até 20 dias.

Nada foi feito.

O prazo venceu em janeiro de 2026 sem qualquer providência, o que levou o Ministério Público a classificar a situação como omissão reiterada e consciente

Quando o lixo vira risco à saúde

Os relatórios técnicos anexados à ação mostram que o problema vai muito além da sujeira urbana.

Entre os riscos identificados estão:

  • proliferação do mosquito da dengue
  • aumento de roedores e risco de leptospirose
  • contaminação de solo e água
  • emissão de gases tóxicos
  • lixo ao lado de unidades de saúde

Um dos casos mais críticos envolve descarte irregular às margens do Canal do Jandiá, com risco direto de contaminação hídrica, situação que levou o MP a pedir abertura de inquérito policial ambiental. 

O retrato do abandono urbano

Os próprios registros do Ministério Público descrevem um cenário que se repete em vários bairros:

  • terrenos baldios transformados em lixões
  • vias públicas tomadas por resíduos
  • praças inutilizadas
  • áreas próximas a UBS com lixo acumulado

Em alguns pontos, o problema persiste há mais de cinco anos sem solução definitiva — um indicativo de falha estrutural na gestão do serviço. 

Por que a Justiça interveio

A promotoria foi direta: todas as tentativas extrajudiciais foram esgotadas.

Foram anos de ofícios, reuniões, notificações e vistorias. Sem resposta eficaz, restou a judicialização. 

A própria ação sustenta que não se trata de falha pontual, mas de inércia prolongada na prestação de um serviço essencial, o que viola:

  • o direito à saúde
  • o direito ao meio ambiente equilibrado
  • a dignidade da população

O que muda agora

A decisão não resolve o problema imediatamente, mas cria um novo cenário:

  • obriga o Município a agir com prazo definido
  • estabelece multa em caso de descumprimento
  • coloca a gestão sob vigilância judicial
  • reconhece oficialmente o colapso da limpeza urbana

Na prática, Macapá chegou a um ponto simbólico:
o básico - recolher lixo - precisou ser imposto pela Justiça.

E isso, por si só, já é o retrato mais claro da crise.

De Bubuia

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