A Polícia Civil do Amapá desferiu um duro golpe contra a articulação do crime organizado, prendendo na manhã desta quarta-feira (25) o advogado criminal Marlon Rodrigues Santana Melo. Ele é suspeito de atuar como mensageiro para uma facção criminosa que opera dentro e fora do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), em Macapá, repassando ordens e informações cruciais para a continuidade das atividades ilícitas.
Esta não é a primeira vez que Marlon Rodrigues é alvo da polícia. O advogado já havia sido detido anteriormente, em uma ocasião em que tentou entrar na penitenciária com um aparelho celular. Desde então, ele vinha sendo investigado.
As apurações da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), conduzidas ao longo de seis meses, apontaram que o conteúdo repassado por Melo à organização criminosa envolvia detalhes sobre tráfico de armas, drogas e a movimentação financeira atribuída a essas práticas.
A teia da conexão criminosa e a defesa contestada
Segundo o delegado Estéfano Santos, da Draco, as investigações revelaram o método de operação do advogado. A polícia obteve acesso a diálogos e à movimentação de informações que ele realizava, evidenciando suas visitas à penitenciária para se encontrar com subordinados, receber ordens, anotá-las e repassá-las aos detentos.
Segundo Santos, a atuação de Marlon Rodrigues facilitava a livre continuidade das ações criminosas por parte das lideranças que, mesmo reclusas em penitenciária de segurança máxima, conseguiam orquestrar seus esqueTccdc
"Esses internos repassavam as ordens para esse advogado que levava até o subordinado dessa facção criminosa. Com essa atuação dele como mensageiro, continuavam as atividades criminosas livremente, mesmo reclusos", concluiu o delegado, evidenciando o papel central do advogado na manutenção da estrutura criminosa.
A operação resultou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão – um domiciliar e outro pessoal – além do mandado de prisão preventiva. Marlon Rodrigues foi detido em via pública e, ao prestar depoimento, optou por exercer o direito de permanecer calado. Foram apreendidos com ele aparelhos eletrônicos de uso pessoal e documentos.
Após a prisão, o advogado passou por exame de corpo de delito e aguarda a audiência de custódia. A defesa e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Amapá, no entanto, contestam veementemente a prisão. Israel Gonçalves da Graça, presidente da OAB-AP, alegou um "grave equívoco".
"A OAB está atuando junto com a defesa para depor a verdade e obviamente repor depois o direito de indenização do nosso colega. Há a campanha difamatória da advocacia em rede social. Todo advogado luta todo dia por justiça e hoje o que está acontecendo é um grave equívoco. Nosso colega teve a liberdade cerceada sem a presença das prerrogativas. É o momento da gente enfrentar os problemas de frente e resolver", disse Gonçalves.
A defesa do acusado, representada pelo advogado Ozeas Nunes, reforçou a tese de que a prisão se baseia em fatos "pretéritos", sem "contemporaneidade". "É o requentamento de um episódio que já foi resolvido e inclusive solucionado pela via judicial e mais uma vez lamentamos a campanha da criminalização da advocacia criminal", afirmou Nunes, sugerindo que a detenção seria uma perseguição à classe. A Polícia Civil, por sua vez, mantém a convicção de que a prisão foi embasada em meses de investigação e provas concretas.
