Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas entre os dias 11 e 15 de julho, com 1.310 eleitores de 16 municípios do Amapá, trouxe dados que, à primeira vista, não resistem à análise lógica. Segundo o levantamento, o prefeito de Macapá, Antônio Furlan, aparece como franco favorito na corrida para o governo estadual de 2026, com 65,2% das intenções de voto contra apenas 24,3% do atual governador Clécio Luís.

O dado, no entanto, entra em choque direto com outro número da mesma pesquisa: a avaliação positiva da gestão de Clécio. Segundo o instituto, 56,3% dos eleitores dizem aprovar a administração estadual, contra apenas 38,9% que a desaprovam. Isso significa que, apesar de mais da metade da população demonstrar apoio ao trabalho do governador, ele estaria perdendo as eleições com uma diferença de mais de 40 pontos percentuais para seu adversário.
A disparidade levanta dúvidas sobre a real aderência da pesquisa ao cenário político atual. Além disso, o desempenho de Furlan, que tem atuação restrita à capital Macapá, contrasta com sua popularidade nas demais regiões do estado. A pesquisa, apesar de apresentar metodologia padronizada, não detalha a distribuição geográfica das entrevistas nem informa quantos entrevistados são de Macapá ou do interior, o que torna impossível avaliar se o favoritismo de Furlan reflete um apoio estadualizado ou apenas local.
Outro ponto que reforça as suspeitas é a ausência de outros cenários com mais candidatos, além da polarização direta entre Clécio e Furlan. Esse tipo de pergunta binária estimula um viés artificial. A eleição estadual tem outros nomes em jogo. Quando se apresenta ao eleitor só duas opções, o resultado tende a ser distorcido.
