Uma nova pesquisa eleitoral registrada na Justiça Eleitoral promete medir o cenário da disputa para governo do Amapá e Senado. O levantamento foi protocolado pelo instituto Paraná Pesquisas e deve ser divulgado nos próximos dias.
Mas antes mesmo da publicação dos números, o registro do estudo já provoca comentários intensos nos bastidores da política amapaense.
O motivo principal não é apenas o conteúdo da pesquisa, mas o momento em que ela aparece no tabuleiro político.
O levantamento surge poucos dias após o escândalo da Operação Paroxismo, investigação da Polícia Federal que atingiu diretamente a cúpula da Prefeitura de Macapá e levou ao afastamento judicial do então prefeito Antônio Furlan. Em meio à crise institucional provocada pela operação, Furlan acabou renunciando ao cargo.
O padrão que chama atenção
Entre analistas políticos e atores do cenário local, um detalhe começa a ser repetido em conversas reservadas: pesquisas eleitorais parecem surgir sempre que a gestão municipal enfrenta momentos de maior desgaste público.
Não é a primeira vez que isso ocorre.
Em episódios recentes envolvendo críticas à administração municipal, levantamentos de opinião foram divulgados justamente quando o debate público estava dominado por crises políticas ou administrativas.
Casos semelhantes já foram observados em momentos de forte repercussão negativa da gestão, como episódios envolvendo problemas urbanos na capital ou questionamentos sobre a condução de áreas estratégicas da prefeitura.
Os registros dessas coincidências já foram abordados em reportagens anteriores:
- Após alagamentos em Macapá, pesquisa surge: coincidência ou estratégia?
- Instituto Paraná divulga pesquisa após escândalo da MacapáPrev
- Cortina de fumaça: pesquisa sobre Furlan chega na hora certa: demais
Esse histórico faz crescer uma pergunta que circula discretamente entre lideranças políticas e observadores do cenário local: seria apenas coincidência ou parte de uma estratégia de comunicação política?
Presença do instituto em Macapá também gera comentários
Outro fator que ampliou a curiosidade sobre o levantamento foi a presença recente de representantes do instituto em Macapá.
Integrantes do Paraná Pesquisas foram vistos em agendas políticas ao lado do deputado federal Vinícius Gurgel, aliado do grupo político ligado ao ex-prefeito.
Embora encontros políticos não representem, por si só, qualquer irregularidade, a proximidade chamou atenção no contexto em que a nova pesquisa foi registrada.
Até o momento, também há questionamentos nos bastidores sobre quem financiou o levantamento, informação que precisa constar no registro oficial das pesquisas eleitorais.
A crise que abalou a Prefeitura de Macapá
A nova sondagem eleitoral surge no momento em que o cenário político do Amapá ainda tenta absorver os efeitos da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos milionários relacionados às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Relatórios técnicos apontam indícios de que recursos destinados à obra teriam sido desviados. Segundo os documentos analisados pelos investigadores, parte desses valores teria circulado por contas ligadas a pessoas próximas ao então prefeito e a clínicas vinculadas a ele e à esposa, a ex-esposa.
As suspeitas provocaram uma forte turbulência política na capital e acabaram levando ao afastamento judicial do gestor municipal, seguido de sua renúncia ao cargo.

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