O prefeito em exercício de Macapá, Pedro daLua, recebeu nesta sexta-feira (20) representantes do Sindicato dos Rodoviários para discutir a paralisação no transporte público, em um encontro que expôs um cenário crítico no sistema, com ônibus parados, salários atrasados e risco de greve.
Reunião escancara crise no sistema
Durante a reunião, com participação da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMAC), sindicato e equipe da prefeitura, foram apresentados os principais problemas que afetam o transporte coletivo da capital.
Entre eles, a paralisação de ônibus da empresa Nova Macapá, ocorrida nesta semana que, segundo a gestão municipal, foi por falta de diesel e dificuldades financeiras.
O prefeito afirmou que esteve na garagem da empresa na quinta-feira (19) e encontrou veículos parados, sem condições de operação.
Trabalhadores cobram salários e ameaça de greve
O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (Sincottrap), Max Delis de Oliveira, afirmou que os rodoviários enfrentam:
atraso de pelo menos um mês de salário
pendência no vale-refeição
A categoria exige o pagamento conjunto dos valores e já indicou possibilidade de greve a partir do dia 26, caso não haja solução.
Segundo ele, a paralisação do sistema foi provocada pela empresa, em meio à crise financeira enfrentada pelo setor. “A paralisação foi feita pela empresa. E nós aprovamos o indicativo de greve para o dia 26, caso essa situação não seja resolvida”, afirmou.
Max Delis disse ainda que há expectativa de que a paralisação não seja necessária, diante das medidas anunciadas pela prefeitura.
“Acreditamos que não será preciso parar, porque o prefeito já fez o repasse. Agora cabe à empresa cumprir a parte dela. Os salários estão atrasados há cerca de 20 dias e o vale-refeição vence hoje”, completou.
Prefeitura tenta evitar colapso do transporte
Durante o encontro, Pedro daLua afirmou que a prefeitura atua para evitar que a população seja ainda mais prejudicada pela crise no transporte público.
Segundo ele, a gestão trabalha para efetuar um repasse emergencial ainda nesta sexta-feira (20), com foco em garantir:
pagamento dos trabalhadores
compra de diesel
retomada da circulação de 100% dos ônibus
20 ônibus novos e promessa não cumprida
O prefeito também citou a situação da frota como parte do problema estrutural do sistema.
Segundo ele, dos 180 ônibus que teriam sido prometidos pela gestão anterior, apenas 20 veículos novos foram efetivamente entregues.
Ainda de acordo com Pedro daLua, esses ônibus foram adquiridos por meio de financiamento pelas empresas, o que aumenta a pressão financeira, já que o não pagamento das parcelas pode levar à perda dos veículos junto às instituições bancárias.
Dívida milionária agrava crise
Na reunião, também foi mencionado um possível passivo elevado no sistema de transporte.
De acordo com informações apresentadas pela prefeitura, a empresa Nova Macapá alega ter cerca de R$ 15 milhões a receber, relacionados a subsídios e repasses não realizados ao longo dos últimos anos.
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