Os transportadores escolares da rede municipal de ensino de Macapá vivem um drama silencioso, mas cada vez mais insustentável. Há três meses sem receber salários, muitos deles relatam dificuldades financeiras graves, com contas atrasadas e até a venda de veículos pessoais para garantir a sobrevivência.
Para piorar, ao invés do pagamento devido, receberam da prefeitura apenas 30 litros de gasolina por veículo para concluir o primeiro semestre letivo. Isso, porque há uma semana eles chegaram a paralisar as atividades.
"Isso não cobre nem metade do trajeto que a gente precisa fazer. Vamos acabar tirando do nosso próprio bolso, de novo", disse um motorista, que preferiu não se identificar.

A indignação é generalizada nos grupos de mensagens dos cooperados, que denunciam o abandono da categoria em meio à realização de festas promovidas pela prefeitura. "É triste ver dinheiro para shows e quadrilhas, mas nada para quem leva as crianças pra escola todos os dias", desabafou outro trabalhador.
A Cooperativa dos Transportadores (Coovap), que reúne cerca de 90 veículos, entre vans, Kombis e peruas, afirma que os pagamentos estão suspensos desde março, afetando não apenas o transporte escolar urbano, mas também o serviço de caminhões para secretarias e catraias que atendem estudantes ribeirinhos.
Segundo os cooperados, apesar da promessa de regularização, não há data definida para o pagamento, e a única condição imposta foi a manutenção do serviço mesmo sem remuneração. “Estão empurrando com gasolina, mas e a manutenção do carro? E o mecânico, pneu, óleo? E a comida da nossa casa?”, questiona uma motorista.
A Secretaria Municipal de Educação foi procurada, mas até o momento não se manifestou oficialmente sobre os atrasos nem apresentou um cronograma de pagamento. A categoria estuda a possibilidade de paralisação nos próximos dias, o que pode comprometer o início do segundo semestre letivo.
