A Prefeitura de Macapá interditou o Shopping Popular antes de ouvir os engenheiros do Corpo de Bombeiros. No dia seguinte, após a circulação da notícia de risco na estrutura, a corporação foi ao local, avaliou o prédio e concluiu que não havia risco algum, o que expõe a precipitação da decisão municipal.
PARECER TÉCNICO ESTRUTURAL DA EMPRESA NUNES & SOUZA
A interdição foi anunciada na sexta (21), gerando forte preocupação entre lojistas e moradores do entorno. Como o Shopping Popular está cercado por prédios comerciais, residências e fluxo intenso de pessoas, o Corpo de Bombeiros - órgão responsável por segurança estrutural e prevenção de desastres - precisou agir rapidamente.
A corporação se deslocou ao local não porque a prefeitura solicitou, mas porque:
- havia notícia pública de possível risco de colapso na estrutura com risco até desabamento;
- e a área é sensível, com impacto direto sobre outras edificações próximas.
Ao chegar, porém, os engenheiros constataram o contrário do que se imaginava.
O tenente-coronel Sanches, mestre em estruturas, afirmou. “A edificação está segura. Não existem elementos que indiquem risco de desabamento. Não há necessidade de interdição.”
Prefeitura decidiu interditar antes de consultar especialistas públicos
Quando decretou a interdição, a prefeitura não havia solicitado a avaliação dos Bombeiros, que são:
- engenheiros especialistas em estruturas,
- autoridade técnica responsável por segurança predial no estado,
- e órgão público com capacidade de emitir parecer definitivo.
A prefeitura baseou a interdição em um laudo particular da empresa Nunes & Souza – Consultoria e Construção, que descreveu:
- trincas inclinadas;
- desaprumos de 30–40 mm;
- falhas de execução na fundação;
- e recomendou escoramento imediato
- e a demolição total ou parcial da edificação
Bombeiros descartam risco após vistoria completa
A vistoria do sábado (22) mostrou que:
- não há sinais de instabilidade;
- não existe risco de colapso;
- não há necessidade de fechamento imediato.
A avaliação contradiz diretamente a base usada pela prefeitura para interditar o local.
Decisão precipitada gera gastos ao município
Ao manter a interdição mesmo após avaliação dos Bombeiros, a prefeitura abriu duas despesas imediatas:
1️⃣ Contrato emergencial
Devido a situação levantada pela prefeitura é possível que seja contratada uma empresa, de forma emergencial, para fazer escoramento e intervenções iniciais.
2️⃣ Aluguel de novo espaço
Para realocar feirantes, com adaptações é provável que a prefeitura loque um espaço para abrir os empreendedores.
População questiona: por que não houve alinhamento técnico?
O caso levanta dúvidas:
- Por que a prefeitura interditou antes de ouvir os Bombeiros?
- Por que ignorar um órgão público com autoridade técnica e engenheiros habilitados?
- O município poderia ter tomado decisão mais equilibrada, evitando gastos e transtornos
