A Polícia Civil do Amapá, através da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente (DERCCA), efetuou nesta quinta-feira (26) a prisão preventiva de um homem de 62 anos. Ele é acusado do crime de estupro de vulnerável contra a própria neta de apenas 7 anos de idade. O caso, ocorrido em Macapá no mês de maio de 2025, choca pela crueldade e pela revelação de um histórico familiar de abusos.
Segundo a delegada Katiúscia Pinheiro, adjunta da DERCCA, a vítima de 7 anos revelou que o avô a abusava sexualmente todas as vezes que a mãe precisava sair para trabalhar. O mais revoltante veio à tona quando a própria mãe da criança, filha do agressor, relatou que também foi vítima do mesmo homem durante a infância. Ela contou que os abusos começaram quando tinha 4 anos e perduraram até os 10 anos, aproveitando-se das frequentes viagens de trabalho da genitora.

A filha do agressor confessou que nunca havia relatado os abusos à sua própria mãe (esposa do agressor) por medo das consequências devido a problemas cardíacos dela. Ela ainda se recorda de um episódio traumático, quando tinha aproximadamente 7 anos, em que o pai a pedia para levar uma coleguinha para que ele fizesse o mesmo que fazia com a filha, mas ela preferiu se afastar das amigas a ceder aos pedidos.
Ainda mais grave, a família possui outros parentes que também foram vítimas de abuso sexual por parte do mesmo homem na infância. Contudo, essas vítimas não desejam se envolver ou relatar os crimes, por vergonha e por não estarem emocionalmente preparadas.
A criança vítima do caso atual narrou à psicóloga que o avô dizia a ela que "não era para contar para ninguém", chamando os abusos de "nosso segredinho". A delegada Katiúscia Pinheiro reforça que essa é uma das táticas comuns de predadores sexuais: "Essa é uma das estratégias usadas por predadores sexuais de crianças: fazer a criança acreditar que os abusos são um segredo inquebrável, tudo para garantir sua impunidade e continuar os crimes."
Ao ser interrogado na delegacia, o acusado não negou as práticas, mas alegou não se lembrar dos fatos devido a problemas de alcoolismo.
