A raiva humana no Amapá teve uma nova atualização nesta quarta-feira (3): o jovem de 24 anos atacado por um primata no Parque Nacional do Cabo Orange não resistiu e morreu em Belém. Este é o terceiro caso confirmado da doença no Brasil em 2025.
Matheus Santa Rosa dos Santos, de 24 anos, estava internado no Hospital Universitário João de Barros Barreto, na capital paraense, e faleceu no final da manhã desta quarta (3), segundo informou o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS/PA).
O paciente havia iniciado os primeiros sintomas em 10 de novembro e permaneceu em estado crítico por 23 dias, até o agravamento do quadro. Matheus trabalhava na pesca de caranguejo no Amapá havia cerca de três meses e era natural de São Caetano de Odivelas (PA).
Como o macaco se infectou e transmitiu a raiva ao trabalhador?
Exames do Instituto Pasteur/SP detectaram a variante AgV3, típica de morcegos hematófagos como Desmodus rotundus e Artibeus spp.
O resultado indica que um morcego contaminou o primata não humano, que por sua vez atacou os trabalhadores no Parque Nacional do Cabo Orange.
Matheus foi mordido na cabeça, tipo de exposição de altíssimo risco para transmissão da raiva.
O segundo trabalhador sofreu apenas um arranhão, recebeu profilaxia imediata e não desenvolveu sintomas.
A cadeia de transmissão ficou assim:
🦇 morcego → 🐒 macaco → 👨 ser humano.
Qual variante do vírus da raiva foi identificada?
Exames do Instituto Pasteur/SP confirmaram a presença da variante AgV3, normalmente associada a morcegos hematófagos como Desmodus rotundus e Artibeus spp. O diagnóstico foi feito por RT-PCR em saliva e biópsia.
Linha do tempo do caso
Outubro/2025
• Dois trabalhadores são atacados por primata; um mordido na cabeça, outro arranhado.
10 de novembro
• Jovem inicia sintomas como cefaleia intensa, hidrofobia, agitação e disfagia.
15 de novembro
• Dá entrada em hospital de Belém.
27 de novembro
• Raiva humana é confirmada pelo Instituto Pasteur/SP.
3 de dezembro
• Paciente morre em Belém.
Onde ocorreram os 3 casos de raiva humana no Brasil em 2025?
Segundo o Ministério da Saúde, os casos foram registrados em:
- Janeiro– Pernambuco
- Fevereiro – Ceará
- Novembro – Amapá (caso mais recente)
Nos três episódios, primatas não humanos estiveram envolvidos.
Por que casos com primatas acenderam alerta nacional?
Especialistas apontam que o padrão incomum - três acidentes envolvendo macacos que evoluíram para raiva humana - exige:
- reforço da investigação epidemiológica
- manejo rápido e correto das exposições
- orientação a trabalhadores da pesca, extrativismo e turismo de mata
- vigilância ativa em áreas remotas
O Ministério da Saúde reforça que todo acidente com mamífero silvestre é emergência médica.
O que fazer após mordida, arranhadura ou contato com saliva de animal silvestre?
- Lave o ferimento imediatamente
Com água corrente e sabão, por vários minutos. - Procure atendimento de saúde urgente
Preferencialmente em UPA, hospitais, vigilâncias, zoonoses ou postos. - Pode haver necessidade de vacina ou soro antirrábico
A indicação depende do tipo de exposição e do local da lesão. - Não mate o animal. Isso compromete a investigação epidemiológica. A orientação é notificar a vigilância.
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