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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Reencontro com a palavra: governador Clécio devolve vida à Biblioteca Elcy Lacerda

Prédio histórico renasce no Centro de Macapá e devolve à cidade um espaço de memória, afeto e futuro.

Reencontro com a palavra: governador Clécio devolve vida à Biblioteca Elcy Lacerda
Clécio Luís ergue a placa da Elcy Lacerda como quem devolve à cidade um pedaço de si mesma. Fotos:Max Renê
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O Amapá viveu, nesta quarta-feira (26), um desses dias que carregam cheiro de livro novo e memória antiga. A reabertura da Biblioteca Pública Elcy Lacerda não foi apenas uma entrega de obra, foi um reencontro. Como quem abre uma janela depois de anos e deixa a luz voltar a entrar devagarinho, iluminando o pó dos sonhos que ficaram guardados.

Há cidades que contam sua história pelos prédios que caem. Macapá decidiu contar a sua pelos prédios que voltam a respirar.

A Biblioteca Elcy Lacerda, reconstruída pela gestão do governador Clécio Luís, retomou seu lugar no Centro como farol público. Reabriu com 16 mil títulos digitais, salas de exposição, espaços de leitura, ambientes infantis e obras raras - um gesto de política educacional, mas também de cuidado com a memória.

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“Devolvemos ao povo do Amapá um espaço que atravessa gerações. Uma cidade que gosta de si mesma precisa de uma biblioteca”, disse Clécio, com a voz de quem entende que prédios também guardam gente.

Na plateia, estudantes, artistas, professores, leitores, ex-colaboradores.

E entre eles, a professora Ana Maria Vilhena, mãe do governador, que deu quase vinte anos de sua vida ao prédio. Difícil não notar o brilho emocionado nos olhos de quem já foi guardiã daquele acervo antes mesmo do termo virar moda.

A reinauguração ganhou som, cor e corpo. Houve cortejo circense, música instrumental com Nonato Leal, poesia, brega com Mauro Cotta, uma mistura tão amapaense quanto a própria história da biblioteca.

Parecia que cada apresentação devolvia mais um pedaço da cidade ao seu eixo.

A entrega se insere no esforço do Governo do Amapá de recuperar marcos culturais que contam a história do estado: o Museu Kuahí, em Oiapoque; o Teatro das Bacabeiras; a Fortaleza de São José; o Centro Cultural Picanço.
Aos poucos, esses espaços deixam de ser ruínas de saudade e voltam a ser ponto de encontro.

A Biblioteca, reformada com preservação arquitetônica e atualização tecnológica, agora possui espaços temáticos, salas de pesquisa, ambientes de convivência e a Sala Multivozes, com 80 lugares. O velho prédio ganhou novos sotaques.

A sobrinha de Elcy, a produtora cultural Marta Lacerda, carregava nas palavras uma espécie de gratidão ancestral. “É a transformação social que a minha tia sempre sonhou”, disse, emocionada.

Bibliotecas são isso: lugares onde sonhos antigos encontram leitores novos.

Profissionais do setor do livro, da Academia Amapaense de Letras e entidades culturais acompanharam todo o processo de restauração, garantindo que o espaço mantivesse sua alma enquanto ganhava Wi-Fi, climatização e modernidade.

Entre as histórias da manhã, uma chamou atenção: a psicóloga Rafaela Chagas, que atende crianças com TEA, enxergou ali ferramentas para além da clínica. “Eu vejo possibilidades de desenvolvimento humano em cada sala”, contou.
É quando uma biblioteca supera seu próprio nome e vira cuidado.

Como um acervo se torna uma ponte entre passado e futuro?

O acervo agora soma 33,6 mil títulos, resultado de doações e novas compras, incluindo mais de 6,3 mil exemplares recém-adquiridos e mais de 300 livros enviados pelo Senado.

A chegada da Biblioteca Virtual Pearson, com 16 mil obras digitais, deu ao Amapá uma espécie de portal de conhecimento.

O sistema Amapazeiro, criado especialmente para o espaço, conecta acervo físico e digital e abre caminho para a biblioteca chegar às casas e não o contrário apenas.

Com a requalificação, a Elcy Lacerda passou a integrar o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, ampliando acesso a editais, formações e redes literárias.

Qual o significado de restaurar um prédio que guarda 80 anos de história?

Criada em 1945, inicialmente em uma casa simples da Avenida Mário Cruz, a biblioteca percorreu endereços até fixar raízes na Rua São José em 1971. O prédio histórico resistiu ao tempo, mas não à falta de manutenção.

Agora, renasce com forro novo, sistema elétrico moderno, iluminação refeita, acessibilidade, elevador revitalizado e identidade visual em homenagem às oito décadas de existência.

Na fachada, duas obras inéditas das artistas Gabriela Campelo e Moara Negreiros reafirmam que o passado e o presente podem dividir a mesma parede.

E depois da festa, o que fica?

Fica o cheiro de páginas novas.
Fica o silêncio confortável das salas de leitura.
Fica a porta aberta, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
Fica a lembrança de que cultura não é gasto: é raiz.

A Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda volta ao Centro de Macapá como referência cultural, de memória e de futuro. E nos lembra que cuidar de um prédio é, às vezes, a forma mais bonita de cuidar de um povo.

De Bubuia

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