Na frente, luzes, fumaça, gritos e Wesley Safadão cantando que “vai dar tudo certo”. Nos bastidores, lama, esgoto, cheiro de dengue e um silêncio ensurdecedor vindo da Prefeitura. Essa é a Macapá de 2025: uma cidade que investe pesado no espetáculo e esquece que a plateia também precisa de dignidade.
Um vídeo que viralizou nas redes sociais escancarou, sem querer, a metáfora perfeita para a gestão do prefeito Antônio Furlan: pão e circo.
Um jovem segura o celular e mostra o fundo do palco onde, na última quinta-feira (24), Wesley Safadão se apresentou por R$ 1 milhão. Em seguida, gira a câmera e revela a cena real: casas às margens do esgoto, crianças convivendo com mosquitos e um povo que assiste à própria miséria como quem olha o show da varanda.
“Você é doido, mano. Olha pra te ver as contradições que existem aqui na sociedade. Milhões investidos ali, pra show, tem que ter mesmo, a população gosta. Mas olha aqui atrás… galera morando no esgoto, enquanto é gastado milhões de reais pra artista levar o dinheiro da população de Macapá”, diz o rapaz, com a verdade crua, sem edição, sem filtro, sem assessoria de imprensa.
Mas o que ele talvez não saiba, e agora você vai saber, é que a apresentação do Safadão foi só a pontinha do iceberg. No dia 11 de julho, a Prefeitura de Macapá homologou uma licitação de R$ 59.190.090,00. Isso mesmo. Cinquenta e nove milhões de reais, destinados exclusivamente para garantir estrutura de eventos pelos próximos 12 meses.
Essa é a realidade de um governo que trata entretenimento como política pública e trata miséria como cenário invisível.
Sim, o povo gosta de festa. Gosta mesmo. Mas gosta ainda mais de comer bem, morar seco e dormir longe da lama. Enquanto o Safadão sobe ao palco e o prefeito sobe no salto, o povo continua atolado.
O que daria pra fazer com esse dinheiro? O perfil @paviocurto.ap não deixa esquecer: pavimentar ruas, construir redes de esgoto, reformar escolas, equipar postos de saúde, ou até dar dignidade a quem mora na rota do Safadão, mas nunca ouviu falar em saneamento básico.
E a pergunta que não quer calar: será que no camarim da política tem espelho?
