O Governo do Amapá deu um passo importante nas negociações com os servidores da saúde pública. Neste domingo, 1º de junho, a Mesa Estadual de Negociação Permanente do SUS (Mesa-SUS) retomou os trabalhos no Palácio do Setentrião, apresentando uma proposta de recomposição salarial que pode chegar a 42% para algumas categorias. O diálogo, que foi marcado por maturidade e respeito entre as partes, agora segue para a apreciação das assembleias sindicais.
A proposta do Executivo prevê reajustes escalonados até 2027, buscando compensar as perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos. Para os servidores de nível médio, os reajustes podem alcançar até 40%, enquanto para os de nível superior (com exceção da classe médica), o percentual pode chegar a 42% no último padrão da carreira.
Ganho real e reestruturação da carreira
A secretária de Estado da Saúde (Sesa), Nair Mota, expressou otimismo após a reunião. "Nossa expectativa é positiva. O governador Clécio Luís tem mantido a Mesa-SUS como espaço permanente de diálogo e construção coletiva. Avaliamos a reunião de hoje como produtiva, pois saímos com uma proposta concreta, construída com base na realidade fiscal do estado", afirmou.

A proposta foi elaborada a partir de estudos técnicos das Secretarias de Estado da Fazenda (Sefaz) e da Administração (Sead), com um investimento previsto de aproximadamente R$ 24 milhões para viabilizar a recomposição salarial.
Um dos pontos estruturantes apresentados é a reestruturação da tabela salarial, que será reduzida de 24 para 21 padrões. Essa mudança tem como objetivo permitir que os servidores atinjam os níveis mais elevados da carreira com mais rapidez, além de garantir percentuais de reajuste mais significativos para profissionais próximos da aposentadoria.
Para o secretário da Casa Civil, Lucas Abrahão, que conduziu o encontro, a proposta reflete o esforço do Governo em valorizar os trabalhadores da saúde. "Chegamos a uma proposta sólida, com reajustes que variam entre 30% e 42% ao longo de três anos, especialmente para aqueles que estão prestes a se aposentar. Isso representa um ganho real para o servidor", destacou Abrahão. A expectativa é que, se aprovada, a proposta seja encaminhada à Assembleia Legislativa na próxima semana, com pagamento de retroativos já em junho.
Sindicatos avaliam proposta e reconhecem avanços
Representantes dos 11 sindicatos que compõem a Mesa-SUS deixaram o Palácio do Setentrião com uma avaliação positiva do diálogo, mesmo reconhecendo que a proposta ainda não atende integralmente todas as reivindicações.
Jim Daves, representante dos fisioterapeutas, elogiou a abertura e o respeito percebidos nas negociações. "Estamos percebendo um amadurecimento nas relações e, pela primeira vez, sentimos respeito real à Mesa-SUS como espaço legítimo de negociação. É prematuro avaliar com mais entusiasmo a proposta apresentada, mas este é, sem dúvida, o primeiro e mais significativo esforço de reestruturação das carreiras da saúde que já vivenciamos. Pela primeira vez, falamos de forma franca dentro do Palácio do Governo", pontuou Daves.
Na mesma linha, o presidente do Sindicato dos Nutricionistas, Jorge Maciel, classificou o momento como histórico para a categoria, elogiando o compromisso e a seriedade do Governo. "Há uma expectativa muito positiva de que nossa base compreenderá o que está sendo proposto. O governo tem demonstrado sensibilidade à pauta dos servidores da saúde e está mantendo um diálogo respeitoso com todas as categorias — algo inédito. Ainda há muito o que ser discutido, mas é importante reconhecer que a mesa permanece aberta e que seguimos na construção de avanços salariais e de melhores condições de trabalho", concluiu Maciel.
A próxima reunião da Mesa-SUS está marcada para está quarta-feira (4), quando os sindicatos apresentarão as respostas de suas bases em relação à proposta.
