O nome era Hercílio da Luz Mescouto, mas em casa, na mesa do café, ele era o Misio. Bragantino de nascimento, amapaense por escolha e entrega, engenheiro por vocação e militante da infraestrutura pública num estado que ainda rastejava no barro da esperança.
E nesta quinta-feira, 24 de julho, o homem que projetou tantas fundações pelo Amapá inteiro será eternizado: o novo Terminal Hidroviário de Macapá, no Píer 2 do Trapiche Santa Inês, passa a se chamar Terminal Engenheiro Hercílio da Luz Mescouto, conforme a Lei Ordinária Nº 3215/2025. É a primeira grande obra pública a carregar seu nome, justo ele, que moldou tantas para os outros.
Morreu aos 90 anos, em dezembro de 2024, levando consigo uma história de vida costurada entre vigas, colunas e palavras suaves. Misio foi da Petrobrás, da Aeronáutica, da engenharia, das repartições públicas do Amapá, onde aportou em 1971, quando os rios ainda eram mais ágeis que os ônibus.
Ergueu o Pronto Socorro de Macapá, o 3º pavimento do HGM, do INSS, casas do Banco do Brasil, o quartel da PM, e tantos outros prédios que, sem nome de bronze, sustentam a rotina de milhares. Silencioso, esguio, de fala mansa, era daqueles que preferiam construir pontes reais a discursos vazios.
Sobre o terminal
O terminal, construído com investimento de mais de R$ 2,6 milhões do Tesouro Estadual, vem para mudar a vida dos passageiros que antes esperavam embarque debaixo de chuva ou sob o sol escaldante. Destinado especialmente àqueles que seguem para Afuá e Chaves, no Pará, o espaço conta com sala de espera climatizada, banheiros adaptados, lanchonete, bilheterias modernas e uma passarela de 180 metros com cobertura termoacústica e iluminação em LED. É um salto logístico, mas também simbólico.

Coordenada pela Secretaria de Infraestrutura (Seinf), a obra respeita todas as exigências da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e amplia a capacidade de embarque de cargas, beneficiando empresas e movimentando a economia local. São 3.902 metros quadrados de modernidade, onde o cidadão amazônida poderá embarcar com dignidade.
O amor pelo Amapá
Mesmo quando já sonhava em mudar para o Rio de Janeiro, para acompanhar uma das filhas, Misio dizia que jamais cortaria o cordão umbilical com o Amapá. “Tenho filhos, netos e bisnetos amapaenses. De lá vou estar vigilante”, dizia. E ficou. E hoje, fica ainda mais. Fica para sempre.
A estrutura que agora leva seu nome abriga mais que passageiros e mercadorias. Abriga memória. Hercílio Mescouto é agora terminal, não como fim, mas como ponto de partida para novas chegadas.
