Há exatamente um ano, em 19 de setembro de 2024, Macapá amanheceu com a presença da Polícia Federal nas ruas. A Operação Plattea investigava um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos milionários. Um dos alvos principais foi o prefeito Antônio Furlan, que teve sua residência e seu gabinete na Prefeitura vasculhados por agentes federais.
O escândalo estourou após suspeitas de direcionamento na licitação para a obra de urbanização da Praça Jacy Barata Jucá, avaliada em R$ 10,3 milhões. Segundo a investigação, o contrato teria sido manipulado para beneficiar empresários próximos à gestão municipal, em troca de propina estimada em até R$ 500 mil.
Prefeito, secretários e aliados na mira da investigação

Além de Furlan, a PF também mirou secretários municipais, o irmão do prefeito, Neto Furlan, e o deputado federal Júnior Favacho. Um dos nomes citados nas apurações foi o do secretário de Obras, Cássio Cunha, acusado de negociar percentuais de propina com empresários da construção civil. Mesmo após a repercussão nacional da operação, Cunha segue ocupando o cargo na atual gestão.
Um ano depois, poucas respostas
Apesar da gravidade das denúncias, nenhuma punição foi aplicada até agora. O processo segue em análise, mas a lentidão da Justiça alimenta a sensação de impunidade.
O peso político do escândalo
O caso deixou marcas profundas na gestão de Furlan, já pressionada por denúncias de má qualidade em obras públicas e falhas de transparência no Portal do Município. Ainda assim, aliados políticos seguem defendendo o prefeito e tratando a investigação como um “exagero”.
A voz da população
Nas ruas, o sentimento é de desconfiança. Muitos moradores enxergam a Operação Plattea como mais um episódio em que escândalos de corrupção são revelados, mas não resultam em responsabilização efetiva.
“A PF foi até a casa do prefeito, levou documentos, celulares, e mesmo assim nada mudou. Parece que em Macapá a corrupção tem mais força que a Justiça”, desabafou um comerciante do Centro, que pediu para não ser identificado.
O que mudou — e o que não mudou
Mudanças positivas:
- A operação conseguiu levantar provas suficientes para abrir inquérito, cumprir mandados de busca e apreensão, expor irregularidades e estimular o debate público sobre o uso de recursos públicos em Macapá.
- Serviu como gatilho para outras operações e uma pressão para fiscalização de licitações no município.
Persistem lacunas e críticas:
- O secretário de Obras implicado na Plattea, Cássio Cruz, continuou no cargo mesmo após as denúncias, o que muitos veem como demonstração de pouca consequência política ou administrativa até agora.
- A tramitação judicial segue lenta.
- Transparência: há pouco vislumbre, ao menos publicamente, de auditorias independentes ou prestação de contas detalhada das obras suspeitas.
