No coração do Bailique, onde a beleza da Amazônia se encontra com a força implacável da natureza, uma batalha silenciosa se trava diariamente. A água, fonte de vida e abundante na região, ironicamente se torna um desafio para os moradores, especialmente para os estudantes das escolas do arquipélago.
A salinização dos rios, um fenômeno agravado pelas mudanças climáticas e pela dinâmica peculiar da foz do Amazonas, transforma a água doce em um líquido impróprio para o consumo, um obstáculo constante para a saúde e o aprendizado.
A deputada Alliny Serrão, sensível a essa realidade, abraçou a causa e viu seu Projeto de Lei nº 0071/2025 ser aprovado pela Assembleia Legislativa do Amapá (Alap). A nova lei, que segue para sanção do governador Clécio Luís, visa instalar sistemas de captação, tratamento, armazenamento e distribuição de água potável nas escolas, beneficiando cerca de 500 alunos matriculados no 8º e 9º ano, além do ensino médio integral e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino fundamental, que frequentam as instituições ainda sem acesso à água nas comunidades..
"Água na Escola, Vida no Bailique" é o nome do programa instituído pela lei, um título que ecoa o anseio por dignidade e bem-estar. A deputada Serrão enfatizou a vulnerabilidade histórica da região e como a falta de água segura compromete o desenvolvimento integral dos estudantes, expondo-os a doenças de veiculação hídrica.
“A falta de acesso à água segura compromete diretamente a saúde, a frequência e o desempenho escolar dos estudantes, comprometendo seu desenvolvimento integral", declarou a deputada Alliny Serrão.
A votação do projeto foi acompanhada em plenário pela professora de Língua Portuguesa Gerlândia Chagas e pelos alunos Paulo Serrão, Alice Castellões e Giovana Andrade, da Escola Conexão Aquarela, idealizadores da proposição.
Para as crianças e adolescentes que trilham os caminhos alagados para chegar à escola, a falta de água potável é mais do que um inconveniente. É uma ameaça constante à saúde, um fator que impacta diretamente sua frequência e desempenho escolar.
O projeto reconhece o papel estratégico das escolas como centros de apoio comunitário no isolado Bailique. A expectativa é que, com a instalação dos sistemas de água potável, as escolas se tornem polos de disseminação de práticas de higiene, conservação ambiental e cuidados com a saúde, gerando benefícios que transcendem os muros da instituição e alcançam toda a comunidade.
A luta contra a salinização é uma batalha contínua. Em fevereiro, o Governo do Estado, com o apoio da Caesa e da Defesa Civil, realizou mais uma distribuição de água potável, uma ação que se estendeu por todo o mês, coincidindo com o período de inverno, quando a salinidade atinge níveis críticos.

Enquanto a solução a longo prazo, como a máquina de dessalinização instalada em Campo do Jordão, ainda aguarda a implementação em larga escala, a aprovação da lei representa um farol de esperança para os estudantes do Bailique. Eles, que enfrentam diariamente a sede que vem do rio, agora vislumbram um futuro onde a água potável nas escolas não seja um sonho distante, mas uma realidade que lhes permitirá florescer, assim como a rica natureza que os cerca.
