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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Cem reais: o preço que tirou uma vida em Macapá

Julgamento realizado nesta semana em Macapá expõe o abismo entre o valor da existência humana e a banalidade da violência.

Cem reais: o preço que tirou uma vida em Macapá
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O preço da vida: cem reais. Foi por essa quantia que Fábio Cavalcante dos Santos, 36 anos, teve seu destino arrancado com golpes de faca. Um corpo estendido no chão da zona sul de Macapá não carregava apenas feridas, mas perguntas que ainda ecoam: quanto vale uma vida?

Nesta semana, no plenário do Tribunal do Júri da capital, a Justiça deu o veredito. Railan Barbosa dos Santos foi condenado a 18 anos e 9 meses de reclusão. O Ministério Público do Amapá, representado por Hélio Furtado e Tatyana Cavalcante, defendeu a memória do morto, e também dos vivos que seguiram marcados. O crime ocorreu em fevereiro de 2018, na zona sul de Macapá

A sentença trouxe os detalhes frios: golpes de arma branca, partes vitais atingidas, morte imediata.

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Mas por trás da linguagem jurídica, havia outra narrativa. Fábio não morreu sozinho, atrás dele ficaram quatro filhos, um deles ainda em gestação no dia em que o silêncio caiu sobre sua casa.

O Conselho de Sentença reconheceu o crime como homicídio qualificado, motivado por futilidade. A juíza Lívia Simone Oliveira de Freitas Cardoso confirmou: não houve chance de defesa. A violência foi extrema, desmedida. E irreparável.

Na linguagem técnica, é cumprimento imediato da pena.
Na linguagem humana, é o reconhecimento tardio de um vazio.

Por que ainda matamos por tão pouco?

O Mês Nacional do Júri não é apenas uma campanha do CNJ. É também um espelho, daqueles que a sociedade muitas vezes evita encarar.

Quando uma vida é ceifada por uma dívida de cem reais, não é apenas o indivíduo que fracassa. É um sistema. É a educação que não alcançou, o Estado que não protegeu, a cultura que naturalizou o sangue como solução.

O Ministério Público cumpriu seu papel. A Justiça se fez presente.

Mas o buraco que fica na história de quatro crianças, e de uma mãe que pariu em luto, ainda é fundo demais para ser tapado com sentenças.

De Bubuia

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