O Dia Mundial do Rock, celebrado em 13 de julho, não é apenas uma data para os amantes da música, mas também uma oportunidade para refletir sobre a influência duradoura do rock na cultura e na moda.
Além dos riffs de guitarra e letras provocadoras, o gênero se destaca pela estética de suas estrelas. Segundo uma pesquisa da Nielsen, 70% dos jovens entre 18 e 24 anos se identificam com o estilo rock, que transcende gerações e continua a moldar tendências.
O rock e sua influência cultural
1950
Derivado de blues, gospel e jazz, o rock nasceu com os negros nos anos 1950. Chuck Berry é considerado o pai do gênero musical por seu talento como cantor, compositor e guitarrista, mas também pelos looks de ternos vibrantes e topete lá no alto.
Uma estética muito semelhante foi posteriormente popularizada por Elvis Presley, que também passou a usar sapatos brilhantes e macacões cobertos por strass.
1960
Aqui nascia os movimentos de contracultura, muito populares entre os jovens. Os Beatles, The Who, Rolling Stones e The Doors estavam na ponta da língua do público, mas também em seus guarda-roupas.
Jaquetas de couro, ternos slim e peças coloridas faziam sucesso.
1970
O glam rock tomou conta dos anos 1970 graças a David Bowie e Jimi Hendrix, que usavam camisas coloridas, maquiagem, botas com salto e mullets.
Foi também nesse mesmo período que surgiram as maiores bandas de metal de todos os tempos. O glam metal foi encabeçado pelo Kiss, que chamava atenção pelas pinturas faciais e roupas justas de couro.
Já o heavy metal do Metallica, AC/DC e Iron Maiden era mais casual, composto por jeans, jaqueta e cabelos compridos.
O final da década também marcou a ascensão do movimento punk, conhecido por correntes e alfinetes metálicos, calças rasgadas, cabelo colorido e o famigerado moicano.
Na mesma época, Vivienne Westwood, um dos maiores nomes da indústria da moda, abriu sua famosa loja de artigos punk em Londres, a Sex. Ela também vestia os integrantes do Sex Pistols.
A presença feminina no rock também cresceu. Blondie, Joan Jett e Patti Smith lançavam tendências com seus cabelos charmosamente desgrenhados, camisetas justas e visual agênero. No Brasil, a franjinha ruiva de Rita Lee era um verdadeiro fenômeno.
1980
Ainda que o punk estivesse vivíssimo na década de 1980, os góticos também ganharam visibilidade. Com isso, surgiu o goth rock.
Bauhaus, The Cure, The Cult e Siouxsie and the Banshees influenciaram muitas pessoas a usarem roupas pretas, cabelos arrepiados, maquiagem escura e acessórios com referências religiosas.
Paralelamente, o new wave também crescia. Esse subgênero era mais animado e quase pop, com sintetizadores e paletas de cores vibrantes. Talking Heads, Cyndi Lauper e Tears for Fears são alguns exemplos.
1990
Bebendo da fonte do punk rock e do heavy metal, o grunge surgiu como uma espécie de rejeição ao glamour e à comercialização do rock. Ironicamente, os artistas desse subgênero se tornaram estrondosamente famosos.
Roupas largas e desgastadas, calças rasgadas, blusas surradas e tênis sujos são elementos associados ao Nirvana, Silverchair, Soundgarden, etc.
No rock brasileiro, bandas como Charlie Brown Jr. e CPM 22 usavam bermudões, camisetas largas e bonés, uma clara influência do estilo de rappers e skatistas.
2000

O indie rock do My Chemical Romance, Panic! At the Disco, Tokio Hotel e Fall Out Boy tinha inspiração direta dos anos 1970 e 1980, com roupas pretas, modelos justos, cabelos elaborados e maquiagem. Esses também foram os primeiros suspiros da estética emo, que se popularizou de vez alguns anos mais tarde.
Um subgênero do heavy metal também cresceu: o nu metal, mistura de rock e hip-hop. Linkin Park, Limp Bizkit e System of a Down se tornaram verdadeiros fenômenos nos anos 2000.
Rock e estilo atualmente
O rock pode não ter a mesma influência de anos atrás, mas certamente não está morto. Hoje, o gênero musical — e, portanto, a estética da moda — é mais nichado, adotado por comunidades específicas e não exatamente pelo grande público.
Muitos artistas das décadas de 1980, 1990 e 2000 continuam em atividade. O Linkin Park, por exemplo, fez uma pausa de sete anos após a morte do vocalista Chester Bennington em 2017. A banda retornou em 2024 com um novo álbum e uma nova cantora, Emily Armstrong, que sobe aos palcos com camisas largas, calças jogger, botas ou tênis casuais e cabelos platinados.
Já o estilo de Taylor Momsen, da banda The Pretty Reckless, fez mais sucesso nos anos 2010 devido às suas roupas sexy com influências góticas, mas ainda serve de referência para muita gente.
Hayley Williams, do Paramore, continua em alta. Além de seus belíssimos vocais, o cabelo alaranjado e os looks que representam sua persona rockstar chamam atenção.
As integrantes do The Warning — banda mexicana formada pelas irmãs Daniela, Paulina e Alejandra — são notavelmente influenciadas pelos anos 1990 e 2000 quando estão nos palcos, mas no dia a dia, a estética Gen Z é evidente. Todas na casa dos 20 anos, elas usam calças largas, babylooks e são inspiradas pelo Y2K.
Estilo roqueiro nas lojas, passarelas e ruas
Recentemente, a Adidas lançou uma coleção em parceria com a Oasis, mas essa não é a primeira vez que artistas de rock se aventuram na moda.
Em 2012 e 2022, respectivamente, o Green Day se juntou à Converse e o Deftones à Marc Jacobs para o lançamento de peças exclusivas.
Nas casas de luxo, Vivienne Westwood ainda é a maior estrela do rock do mundo da moda, lançando itens ousados e desinibidos a cada temporada.
As pessoas também se inspiram em diferentes momentos da história do rock e criam looks com elementos não exatamente associados ao movimento, mas que funcionam no produto final, como tricot feminino, cores vivas e acessórios delicados.
Isso não é um problema porque, no final das contas, não há nada mais rock’n’roll do que usar o que quiser — e não o que se espera.
