A manhã desta quarta-feira (3) foi marcada por mais uma ofensiva da Polícia Federal (PF) contra suspeitas de corrupção em Macapá. A Operação Paroxismo apura um esquema de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de capitais em contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde para a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, no valor de R$ 69,3 milhões.
Segundo a PF, o grupo investigado seria composto por empresários e agentes públicos envolvidos em direcionamento de licitação e pagamento de propina. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Macapá e outros dois em Belém (PA).
A ação volta a colocar a administração do prefeito Antônio Furlan (MDB) sob pressão. A gestão já havia sido atingida pela Operação Plattea, em setembro de 2024, quando o próprio prefeito foi alvo de mandados de busca e apreensão em inquérito sobre desvio de recursos públicos.
Esquema de ocultação de recursos
De acordo com as investigações, o grupo investigado usava mecanismos para dissimular a origem ilícita do dinheiro, como entregas físicas de numerário e movimentações bancárias fracionadas. O objetivo era ocultar os repasses de propina ligados ao contrato milionário.
Relembre a Operação Plattea
A deflagração da Paroxismo ocorre menos de um ano após a Operação Plattea, que teve repercussão nacional e envolveu diretamente o prefeito Antônio Furlan.
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Na ocasião, a PF investigava suposto pagamento de R$ 500 mil em propina em contrato de urbanização da Praça Jacy Barata Jucá, avaliado em mais de R$ 10 milhões. A operação cumpriu mandados de busca na residência do prefeito, de seu irmão Neto Furlan, do deputado Júnior Favacho e de secretários municipais.
Mesmo após o escândalo, Furlan manteve no cargo o secretário de Obras, Cássio Cunha, apontado como um dos principais articuladores do esquema, acusado de negociar percentuais de propina com empresários da construção civil.
📌 Linha do tempo das operações da PF contra a gestão Furlan
19 de setembro de 2024 – Operação Plattea
- Alvo direto: prefeito Antônio Furlan, seu irmão Neto Furlan, o deputado Júnior Favacho e secretários municipais.
- Suspeita: desvio de recursos e propina em contrato de R$ 10,3 milhões para urbanização da Praça Jacy Barata Jucá.
- Esquema: pagamento de até 20% do contrato em propina, chegando a R$ 500 mil desviados.
- Repercussão: Furlan teve residência e gabinete na Prefeitura de Macapá vasculhados. A operação teve repercussão nacional.
03 de setembro de 2025 – Operação Paroxismo
- Objetivo: apurar fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
- Contrato investigado: obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, firmado em maio de 2024, no valor de R$ 69,3 milhões.
- Ação: 11 mandados de busca em Macapá e 2 em Belém (PA).
Situação: até o momento, a PF não citou nomes de gestores municipais, mas a operação reacende o debate sobre a corrupção que ronda a administração Furlan.
