Ela foi ao fórum em busca de Justiça, mas encontrou a morte
Ex-companheiro aguardou no local por uma hora, atacou a vítima a facadas e acabou preso após perseguição. Ela morreu, paradoxalmente, diante do lugar que deveria protegê-la.
Era para ser um espaço de garantia. Um lugar onde conflitos se resolvem com palavras, papéis e decisões judiciais. Mas, na manhã desta quarta-feira (17), em Santana, o fórum virou palco de algo que rasgou qualquer lógica de proteção.
Juciele de Souza Moraes, 35 anos, chegou ao local onde, em tese, estaria segura. Havia uma audiência marcada. Um processo comum, desses que tratam da vida prática, das responsabilidades que ficam depois que o amor acaba.
Ela seguiu o roteiro que a Justiça exige. Ele, não. Do lado de fora, o tempo corria diferente. Elquias da Silva Lima, 39 anos, não estava ali por acaso. Não chegou de surpresa. Não agiu por impulso.
Por cerca de uma hora, permaneceu diante do fórum, como quem observa, calcula, decide.
A separação, ocorrida há alguns meses, não foi aceita. E, naquele silêncio carregado de intenção, o crime já estava em curso antes mesmo do primeiro golpe.
Quando Juciele apareceu, não houve discussão. Não houve aviso. Não houve chance. Ele se aproximou e, sem qualquer hesitação, começou a golpear.
Facadas em sequência. Violência direta, crua, exposta. Em plena via pública.
Em frente ao símbolo máximo de proteção legal.
Juciele caiu ali mesmo, diante de todos e, paradoxalmente, diante do lugar que deveria representá-la, defendê-la, resguardá-la.
O agressor fugiu. Mas não foi longe.
A reação foi imediata. Populares correram atrás, revoltados com a brutalidade do que acabavam de presenciar. Na sequência, a Polícia Militar, que atua na segurança do próprio fórum, entrou em ação e o prendeu.
Antes disso, ele chegou a ser agredido por pessoas que testemunharam a cena, um reflexo da indignação que tomou conta do local.
A tentativa de fuga durou pouco. O crime, não.
Porque o que ficou não foi apenas a imagem de uma execução em via pública. Foi o choque de uma contradição: uma mulher assassinada exatamente onde buscava amparo.
O caso escancara uma pergunta incômoda, dessas que ecoam muito depois que a sirene silencia: De que adianta chegar ao lugar certo…se a violência já decidiu não respeitar nenhum limite?
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