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Terça-feira, 10 de Março 2026

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O caminho da mochila: como a PF rastreou R$ 400 mil até o prefeito de Macapá

Vigilância da PF reconstrói passo a passo a rota do dinheiro, do banco a encontros discretos e ao entorno do poder municipal. Diagrama mostra a teia das conexões.

O caminho da mochila: como a PF rastreou R$ 400 mil até o prefeito de Macapá
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O site De Bubuia teve acesso a relatórios de vigilância da Polícia Federal que descrevem, passo a passo, a circulação de R$ 400 mil em dinheiro vivo fora do sistema bancário em Macapá. Segundo os documentos, o valor foi sacado por empresário investigado, transportado em mochila, trocado de mãos fora do banco e levado em veículo registrado em nome do prefeito da capital.

A investigação aponta uma sequência de deslocamentos, encontros discretos e vínculos pessoais que conectam empresários, motoristas, um laboratório e o núcleo da Prefeitura de Macapá.

O início da rota: saque elevado e dinheiro fora do sistema

Na manhã de 23 de maio de 2025, agentes da Polícia Federal passaram a monitorar Rodrigo de Queiroz Moreira, empresário investigado por indícios de direcionamento de licitação na obra do Hospital Geral de Macapá.

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Às 10h55, Rodrigo foi identificado chegando ao Banco do Brasil Estilo, no bairro Beirol, portando uma mochila preta. Imagens internas da agência confirmam a realização de um saque em espécie de R$ 400 mil, valor considerado elevado e incomum para operações rotineiras.

O empresário permaneceu cerca de 45 minutos no interior do banco e saiu com a mesma mochila, sem realizar qualquer tipo de transferência eletrônica.

Paradas fora do circuito bancário

Logo após deixar a agência, o veículo utilizado seguiu para o Edifício Brunswick, apontado no relatório como residência do empresário. A parada durou aproximadamente 10 minutos.

Em seguida, o carro deixou o local e se deslocou até o Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, no centro de Macapá. A Polícia Federal destaca que o deslocamento ocorreu sem justificativa comercial aparente, fora de ambientes bancários ou institucionais.

O laboratório como ponto sensível da rota

Segundo os relatórios, o laboratório não aparece de forma aleatória na investigação. O imóvel pertence a Paulo José de Brito Silva Albuquerque,  suplente do senador Lucas Barreto, parlamentar responsável por emendas federais destinadas à obra do hospital investigado.

Para a Polícia Federal, a escolha desse local como ponto de parada reforça a suspeita de que o dinheiro sacado teria destinação distinta da declarada, especialmente por envolver figuras ligadas ao financiamento político da obra pública.

A troca da mochila e a entrega em espécie

Às 12h13, dois indivíduos saem do laboratório.

De acordo com a PF, os dois conversam rapidamente. Em seguida, ocorre a entrega de uma quantia em dinheiro em espécie, antes de o homem com a mochila entrar em Fiat Cronos branco  e deixar o local.

O veículo que conecta o dinheiro ao prefeito

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Consultas oficiais feitas pela Polícia Federal revelaram que o Fiat Cronos branco, placa SAK-6E14, está registrado em nome do prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan.

A partir desse ponto, a investigação passou a focar na identificação de quem conduzia o carro durante a circulação do dinheiro.

Quem dirigia o carro e qual o vínculo

Diligências posteriores permitiram identificar o motorista como Jerqueson da Costa Rodrigues.

Segundo o relatório, Jerqueson:

  • é empregado doméstico do prefeito;
  •  possui vínculo formal registrado;
  •  utiliza o veículo do prefeito em atividades cotidianas.

Para os investigadores, essa relação funcional explica o acesso ao carro, mas também aproxima diretamente o dinheiro do núcleo da Prefeitura, já que a circulação ocorre por meio de alguém subordinado ao chefe do Executivo municipal.

A rede que sustenta a movimentação

Os relatórios da Polícia Federal descrevem uma rede estruturada de vínculos pessoais, funcionais e patrimoniais, que sustenta o caminho do dinheiro:

Rodrigo de Queiroz Moreira

Empresário responsável pelo saque de R$ 400 mil em espécie. É sócio de empresa investigada por direcionamento de licitação na obra do Hospital Geral de Macapá, financiada com recursos públicos.

Hulgo Márcio Bispo Corrêa

Identificado como condutor do veículo usado na fase inicial da movimentação. Mantém vínculos empresariais e históricos com o prefeito. Já ocupou cargos de comando em entidades anteriormente presididas por Antônio Furlan, funcionando como elo entre empresários e o núcleo da gestão municipal.

Laboratório Dr. Paulo Albuquerque

Utilizado como ponto intermediário da rota do dinheiro. Pertence a figura política ligada ao parlamentar que destinou emendas federais à obra investigada. A PF destaca que o encontro ocorreu fora de ambiente institucional ou bancário.

Jerqueson da Costa Rodrigues

Motorista do veículo do prefeito no momento da circulação do dinheiro. Empregado doméstico de Antônio Furlan, com vínculo formal. Segundo a PF, exerce atividades sob ordens diretas, o que reforça a proximidade funcional com o chefe do Executivo.

Goreth Eulalia Guedes Bastos

Proprietária do imóvel onde o veículo do prefeito foi localizado em diligência posterior. Identificada como cônjuge de Jerqueson, o que reforça a estabilidade do vínculo familiar e funcional no entorno da gestão municipal.

Antônio Paulo de Oliveira Furlan

Prefeito de Macapá e proprietário do veículo utilizado na fase final da rota. O relatório não afirma participação direta no saque, mas registra que o dinheiro circulou em veículo de sua propriedade, conduzido por empregado doméstico, em contexto considerado suspeito.

Para a Polícia Federal, os caminhos do dinheiro coincidem com os caminhos das relações pessoais.

O que a Polícia Federal aponta como indício

Nas conclusões, os investigadores afirmam que:

  • o saque elevado em dinheiro vivo,
  •  a circulação fora do sistema bancário,
  •  a troca de posse da mochila,
  •  o uso de veículo do prefeito,
  •  e os vínculos funcionais entre os envolvidos

reforçam indícios de ocultação da destinação dos recursos.

O relatório registra que, se confirmada a entrega de valores a ocupante de veículo do prefeito, o episódio pode configurar corrupção ativa e passiva, conforme o Código Penal.

Por que esse caso importa

Os documentos não descrevem um episódio isolado, mas um método: dinheiro em espécie, encontros discretos, veículos particulares e relações pessoais substituindo canais institucionais.

A investigação segue em andamento, mas o trajeto do dinheiro já foi mapeado.

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