Foram 19 dias de passos insistentes, de vozes que ecoavam entre árvores altas demais para devolver resposta. No fim, ficou o silêncio. As buscas por Jhemenson Rodrigues Gonçalves, 32 anos, foram encerradas nesta quarta-feira (22) sem que a mata revelasse qualquer pista do extrativista desaparecido desde o dia 4 de abril, na região da Floresta do Paru.
A operação mobilizou uma engrenagem rara de ver tão longe dos centros urbanos. Bombeiros do Pará coordenaram a força-tarefa que reuniu militares do Exército, drones com câmera térmica, cães farejadores, apoio aéreo e voluntários. Uma coreografia de esperança desenhada sobre um território que não se deixa ler com facilidade.
Jhemenson entrou sozinho. Foi colher castanha, como tantos fazem todos os dias, sustentando a vida com o que a floresta oferece. Não voltou.
Nos dias seguintes, a mata virou mapa de tentativa. Equipes avançaram por áreas fechadas, enfrentando capim cortante, calor abafado e caminhos que se perdem em si mesmos. Em alguns trechos, o acesso só era possível por “batelões”, barcos que deslizam lentos pelos rios carregando a produção da região.
O esforço foi grande. Mas a floresta foi maior.
“Percorremos cerca de 45 quilômetros fazendo barulho e observando o mato, mas não encontramos vestígios”, relatou José Jussian da Silva, um dos responsáveis pelas buscas. Segundo ele, o planejamento seguia um desenho quase geométrico, um quadrado aberto no meio do verde, com lados de 10 quilômetros que, na prática, viravam 13. A conta nunca fecha quando o terreno é vivo.
Agora, o caso muda de mãos. Com o encerramento das buscas, a Polícia Civil do Pará assume a investigação para tentar reconstruir o que aconteceu naquele dia em que Jhemenson entrou na mata e desapareceu.
Enquanto isso, em Laranjal do Jari, o tempo não anda no relógio. Ele pesa. Fica suspenso entre a esperança que insiste e a ausência que começa a se impor.
A floresta segue em pé. E em silêncio.

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