Em meio à vastidão amazônica, onde rios serpenteiam e a floresta impõe seus desafios, uma força discreta e implacável se ergue nos céus do Amapá: o Grupo Tático Aéreo (GTA). Não se trata de uma força de elite apenas para grandes operações, mas de um braço aéreo vital que, nos primeiros cinco meses de 2025, já realizou 31 missões de salvamento e resgate. Um balanço divulgado pelo Governo do Estado que, em sua frieza numérica, esconde dramas humanos e desfechos heroicos.
O GTA, parte integrante do sistema operacional de ação imediata da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), é o protagonista silencioso de multimissões que transcendem a rotina policial. Do resgate de afogados em rios turbulentos à transferência de pacientes em estado grave de locais remotos, suas asas são a ponte entre a vida e a morte, o isolamento e o socorro especializado.
E a urgência, como bem frisou o capitão Bryan Fonseca, subcoordenador do GTA, é a bússola que orienta cada voo: "Essencial o uso da aeronave, o tempo é primordial nesse tipo de ocorrência".
Eficiência
A quarta-feira (28), ilustra com clareza o dinamismo do GTA. No início da manhã, o "Gavião 01" alçou voo para o distrito quilombola de Igarapé do Lago, em Santana, a 90 quilômetros da capital. Um homem de 43 anos, vítima de um acidente durante trabalho de roçagem, precisava de socorro imediato.

A bordo, uma equipe do Samu, em perfeita sincronia com o GTA, estabilizou o paciente para a rápida remoção ao Hospital de Emergência em Macapá, com o pouso preciso no campo do Glicério Marques, ao lado da unidade hospitalar. Uma corrida contra o relógio vencida pelo ar.
No mesmo dia, o helicóptero foi acionado novamente. Desta vez, para a distante comunidade Rio Serraria Grande, no município paraense de Afuá. Um adolescente de 13 anos, vítima de uma queda ao subir em um açaizeiro, aguardava socorro.
O pouso em um campo de futebol local e o subsequente deslocamento de barco em um rio de difícil acesso – a "rabeta" como extensão do helicóptero – mostram a capacidade de adaptação e a determinação das equipes. Uma vez estabilizado, o jovem foi transportado com segurança para Macapá. São histórias como essas que revelam a importância de uma estrutura aérea robusta em regiões como a Amazônia.
E a expertise não se limita a acidentes. Em março, um resgate de quatro homens desaparecidos há dois dias na Reserva Extrativista do Rio Cajari, no sul do Amapá, comoveu a população e demonstrou o alto nível de treinamento tático.
Em uma força-tarefa com o Corpo de Bombeiros, o plano de voo operacional e a detecção de um sutil sinal de fumaça em meio à densa floresta levaram à localização. A técnica de rapel permitiu que um tripulante descesse, prestando os primeiros socorros e garantindo o embarque e o retorno seguro dos desaparecidos às suas famílias.

O Grupo Tático Aéreo, com sua capacidade de múltiplas missões e seu compromisso inabalável, não é apenas um braço operacional; é a materialização da esperança em situações-limite, um testemunho da importância vital da tecnologia e do treinamento humano na proteção da vida e na garantia da segurança em um território de desafios geográficos únicos. As asas do GTA são, de fato, as asas da vida no Amapá.
Confira as atuações de resgate e salvamento dos agentes do GTA em 2025:
- Busca e salvamento de afogados: 3 ocorrências;
- Busca e salvamento em naufrágio: 2;
- Busca e salvamento em meio líquido: 1;
- Busca e salvamento terrestre: 1;
- Transferência de pacientes entre diferentes unidades de saúde por condição clínica: 8;
- Transferência de pacientes entre diferentes unidades de saúde por condição de trauma: 2;
- Atendimento em local sem assistência médica por condição clínica: 9;
- Atendimento em local sem assistência médica por condição de trauma: 5.
