O nome de um dos maiores símbolos culturais do Amapá entrou no centro de um debate que mistura memória, identidade amazônica e legado artístico. O Instituto Memorial Amapá divulgou posicionamento público contrário à proposta aprovada pela Assembleia Legislativa que pretende alterar o nome do Teatro das Bacabeiras para incluir o do teatrólogo amapaense Amadeu Lobato.
A manifestação ocorre após a aprovação, no último dia 6 de maio, do projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Jesus Pontes. A proposta abriu uma nova discussão sobre até onde homenagens podem avançar sem apagar símbolos já consolidados da história cultural do estado.
Embora reconheça a importância de Amadeu Lobato para o teatro amapaense, o Instituto defende que o Teatro das Bacabeiras carrega uma identidade histórica construída ao longo de décadas e que não deve ser descaracterizada.
Instituto diz que nome do Teatro das Bacabeiras representa identidade amazônica
No documento, o Instituto Memorial Amapá afirma que o nome “Bacabeiras” não surgiu de forma aleatória. Segundo a entidade, houve amplo debate envolvendo artistas, jornalistas, historiadores e representantes da cultura local antes da definição do nome do espaço.
“O Teatro das Bacabeiras não recebeu esse nome por acaso. Houve debate, pesquisa e discussão com artistas, jornalistas, historiadores e pessoas ligadas à cultura amapaense. O nome nasce da identidade amazônica, da origem histórica de Macapá e da memória coletiva do povo do Amapá”, destacou o texto.
A entidade relembra que o termo faz referência à bacaba, fruto típico da Amazônia, além da ligação com a origem indígena do nome Macapá. Para o Instituto, retirar ou modificar essa denominação significaria romper parte da memória cultural construída em torno do espaço.
Quem foi Amadeu Lobato e por que homenagem gera debate
Amadeu Lobato é considerado um dos principais nomes das artes cênicas do Amapá.
Diretor, ator, dramaturgo e professor, ele dedicou mais de 40 anos à formação de artistas e consolidou sua trajetória com o espetáculo “Uma Cruz para Jesus”, tradicionalmente realizado na Fortaleza de São José de Macapá.
O próprio Instituto Memorial Amapá reconhece a relevância histórica do teatrólogo, mas defende que a homenagem ocorra em um local diretamente ligado à sua trajetória artística.
Para o presidente da entidade, Walter Júnior, o anfiteatro da Fortaleza de São José seria o espaço mais adequado para eternizar o nome de Amadeu Lobato.
“Amadeu Lobato merece aplausos, não polêmica. Merece permanência, não divisão. Então por que não fazer a homenagem de forma mais inteligente, mais afetiva e mais conectada à própria história dele? Por que não dar o nome de Amadeu Lobato ao anfiteatro da Fortaleza de São José? Foi ali que ele transformou fé, arte e emoção em memória coletiva com ‘Uma Cruz para Jesus’. Foi ali que ele se tornou eterno”, afirmou.
Mudanças de nomes em espaços públicos já provocaram polêmicas no Amapá
O Instituto também relembrou outros episódios semelhantes que geraram debates na sociedade amapaense. Entre eles, tentativas de alteração do próprio nome do Teatro das Bacabeiras para homenagear o humorista Pádua Borges e propostas envolvendo a Praça Floriano Peixoto, em Macapá.
A entidade argumenta que espaços históricos carregam símbolos coletivos que vão além de homenagens individuais, mesmo quando direcionadas a personalidades importantes da cultura local.
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