O som não foi alto. Não precisou.
Quando o sino tocou, na tarde desta quarta-feira (8), ele ecoou como um anúncio simples, mas carregado de significado. Ali, no Centro de Radioterapia do Amapá, o barulho metálico não marcava apenas o fim de uma sessão. Era o fim de uma travessia.
Quem segurava a corda era o senhor Edimilson Almeida. Depois de 33 sessões, ele se tornou o 40º paciente a tocar o chamado “sino da vitória”, símbolo da alta médica e do encerramento do tratamento contra o câncer.
Ao redor, não havia apenas aplausos. Havia suspiros. Olhares marejados. E aquele silêncio respeitoso que surge quando a vida vence.
O governador Clécio Luís acompanhava o momento. Era também seu aniversário. Mas a comemoração, ali, ganhou outro sentido.
“Essa emoção hoje é inquietante. Ver esse carinho é fantástico, mas o melhor presente foi o que ouvimos aqui. O seu Edimilson concluiu 33 sessões e está saindo curado. Isso representa vida, esperança e o amor que cura”, afirmou.
Desde dezembro, quando o centro foi inaugurado na Zona Norte de Macapá, 162 pacientes já passaram pela unidade. Destes, 40 receberam alta e outros seguem em tratamento. Números que, friamente, caberiam em uma planilha. Mas que, ali, tinham nome, rosto e história.
A administradora do centro, Rafaela Oliveira, explica que o serviço reduziu o tempo de espera e evitou que pacientes precisassem sair do estado.
“Hoje conseguimos oferecer um fluxo organizado. O paciente é encaminhado, passa por avaliação e inicia o tratamento em média entre 15 e 20 dias. Antes, muitos aguardavam meses ou precisavam sair do Amapá”, destacou.
Essa mudança tem peso. Antes, enfrentar o câncer também significava enfrentar aeroportos, despedidas e quilômetros de distância da família. Agora, a batalha acontece perto de casa.
Entre os que ainda aguardam o momento do sino está o aposentado Raimundo Girão Queiroz, de 70 anos. Ele se prepara para a 15ª sessão. Para ele, o centro já mudou a realidade dos pacientes amapaenses.
“Aqui temos acolhimento e dignidade. E o melhor, podemos nos tratar perto da família. Isso faz toda a diferença”, disse.
No fim do encontro, o secretário adjunto de Assistência Hospitalar, Diego Conrado, resumiu o impacto da unidade. Segundo ele, a radioterapia no estado não é apenas um serviço novo. É uma virada na resolutividade da saúde pública.
Mas naquele fim de tarde, os números ficaram em segundo plano. O que permaneceu foi o som do sino.
E, depois dele, o silêncio.
Um silêncio diferente.
Não o da incerteza, mas o da vitória.

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