Uma mãe decidiu gravar um vídeo depois de perceber algo que a deixou indignada: o kit de formatura da filha, pago integralmente pelos pais, trazia a marca da prefeitura no convite e no certificado.
O episódio aconteceu em uma creche municipal de Macapá e reacendeu um debate que vai além do símbolo impresso: até onde vai a participação do poder público em eventos pagos pelas famílias?
Segundo o relato, cada família pagou R$ 150 para garantir a formatura das crianças. O valor cobriu convite, certificado e itens do kit. Nenhum recurso financeiro, afirma a mãe, foi repassado pela prefeitura para a realização do evento.
A revolta surgiu ao perceber que o material trazia o símbolo oficial do município, passando a impressão de que o poder público teria bancado ou apoiado financeiramente a cerimônia.
“Eu paguei. Não foi prefeito, não foi prefeitura que ajudou em nada. Educação é obrigação, não favor”, desabafou a mãe no vídeo.
Ela afirma que o incômodo não é apenas pessoal, mas coletivo. Segundo o relato, nem todas as crianças conseguiram participar, porque algumas famílias não tiveram condições de pagar o kit.
“Tem pai que ganha só pra comer, pra comprar roupa do filho. Tudo de criança é mais caro”, disse.
O símbolo da prefeitura aparece não só no convite, mas também no certificado, em posição de destaque, o que intensificou a sensação de injustiça relatada pela mãe.
O que dizem professores
Após a repercussão do vídeo, professores explicaram que a presença do nome da prefeitura é considerada comum, já que a creche faz parte da rede municipal.
Eles afirmam que, mesmo sem aporte financeiro direto, o poder público costuma ceder o espaço da escola e, em alguns casos, oferecer lanche para pais e alunos, o que justificaria o uso da marca.
Em Macapá, famílias relatam gastos que variam de R$ 120 a R$ 300 apenas com figurino. Somados a fotos, lembranças e taxas, os custos podem ultrapassar R$ 500.
Em grupos de WhatsApp, cresceram pedidos de ajuda, rifas e vaquinhas para garantir a participação das crianças.
O impacto emocional em quem fica de fora
Psicólogos alertam que a exclusão em eventos coletivos é percebida pelas crianças. A comparação com colegas pode gerar sentimentos de inferioridade, mesmo que a criança não compreenda o motivo financeiro.
Especialistas em educação defendem que a celebração não deve virar vitrine de consumo nem reforçar desigualdades que as crianças não criaram.
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