O cerco ao tráfico de drogas em Santana, município a 17 quilômetros de Macapá, vem se intensificando e reforçando uma preocupação antiga das forças de segurança: a cidade é uma das principais portas de entrada de entorpecentes no Amapá. Em menos de dois meses, operações distintas resultaram na apreensão de mais de 30 quilos de drogas, quase sempre vindas do estado do Pará por rotas fluviais.
O caso mais recente ocorreu no sábado (9), por volta das 18h15, quando uma denúncia anônima levou equipes da Companhia Independente de Patrulhamento Tático com Apoio de Motocicletas (Patamo) até a área portuária.
Uma embarcação de passageiros vinda de Belém (PA) trazia uma caixa de mercadorias endereçada a uma mulher que receberia a carga em Macapá. Dentro, foram encontrados 8 quilos de cocaína e 2 quilos de crack. A destinatária não foi localizada, e todo o material foi encaminhado à Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).
Casos semelhantes têm se repetido. Em 20 de julho, a Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) apreendeu 4 quilos de cocaína em duas embarcações atracadas nos portos do Grego e Souza Mar. A ação também partiu de denúncias anônimas sobre cargas suspeitas oriundas de Belém. “A participação da população tem sido decisiva para identificar e interceptar essas remessas”, afirmou o delegado Leonardo Alves, titular da Polícia Civil em Santana.
O histórico recente inclui ainda a apreensão de três pacotes de drogas escondidos em uma sacola de supermercado no depósito de uma embarcação vinda de Santarém (PA), no dia 16 de junho, e de 7 quilos de maconha camuflados no forro das portas de um carro Renault Kwid desembarcado de um ferry boat no Porto Norte, no dia 2 de julho.
Segundo a polícia, a variedade de métodos, que vão desde o transporte oculto em mercadorias até compartimentos secretos em veículos, demonstra a sofisticação das facções que operam na região. O delegado Leonardo Alves reforça que o combate ao tráfico em Santana depende de vigilância constante e da colaboração popular. “Cada informação pode evitar que mais drogas cheguem às ruas”, disse, informando que denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (96) 99814-1416.
As investigações buscam identificar os responsáveis, mapear rotas e desarticular as conexões entre traficantes que usam os portos de Santana como corredor de entrada para abastecer o Amapá.
