Dois dias depois da execução que chocou o Amapá, a Polícia Militar encontrou um dos principais suspeitos. Conhecido como “Filé”, o homem apontado como segurança de uma facção criminosa que atua na região das passarelas do bairro Universidade morreu em confronto com a PM na manhã desta segunda-feira (28), em Macapá.
De acordo com a polícia, “Filé” era investigado por envolvimento direto na morte de Luiz Pinto Rodrigues, de 24 anos, assassinado minutos após ser batizado em uma igreja evangélica no bairro Zerão, na manhã do último sábado (26).
Luiz havia acabado de sair do templo quando foi alvejado a tiros por dois homens em uma bicicleta, na passarela da 2ª Avenida do Bairro Universidade. A cena brutal aconteceu diante de amigos e fiéis que ainda guardavam na memória o momento de renascimento espiritual vivido por ele minutos antes.
Nesta segunda, durante uma tentativa de abordagem do 1º Batalhão da PM, “Filé” fugiu e foi perseguido por uma área de pontes. A Força Tática deu apoio e conseguiu cercar o suspeito. Na fuga, ele ainda invadiu duas casas e trocou tiros com os policiais. O confronto terminou na segunda residência, onde ele foi alvejado. Porções de drogas e uma arma de fogo foram apreendidas no local.
Segundo investigações, “Filé” atuava como espécie de vigilante armado da facção, responsável por monitorar a entrada e saída de pessoas na área disputada por grupos criminosos. A morte de Luiz teria sido uma retaliação ou uma “mensagem”, ainda sem motivação totalmente esclarecida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que segue com as investigações.
Luiz não tinha antecedentes criminais, mas possuía dois boletins de ocorrência – um por importunação e outro por violência doméstica. Para a polícia, nada disso justifica o crime. A linha mais forte apurada é de que se tratou de uma execução premeditada, mas ninguém sabe o porquê.
O crime e o desfecho do confronto acendem mais uma vez o alerta sobre a violência em áreas dominadas por facções e a fragilidade de quem tenta recomeçar a vida nesses territórios. Luiz foi morto com o corpo ainda molhado do batismo. E “Filé” caiu tentando escapar da mesma estrutura que ajudava a sustentar.
Denúncias que ajudem a identificar os demais envolvidos podem ser feitas, de forma anônima, pelo telefone (96) 99170-4302.
