De Macapá até Oiapoque são quase 600 quilômetros de estrada. Um caminho longo, mas necessário, quando o destino é a mesa vazia de quem vive da mandioca e, por ora, não colhe mais o que planta.
O Governo do Amapá levou kits de alimentos a comunidades indígenas da fronteira, atingidas pela vassoura-de-bruxa, praga que comprometeu a produção e o sustento de centenas de famílias.
Mais de 400 famílias indígenas receberam os kits em uma ação que envolve o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas). Não é apenas comida. É tempo ganho enquanto a terra se recompõe.
A mandioca, raiz do cotidiano e da cultura, falhou. Quando ela adoece, adoece junto o modo de viver. Por isso, a ajuda chega como quem segura a ponte para que ninguém caia no vazio.
“Mais uma vez nosso povo está sendo assistido pelo Governo do Estado e pela sensibilidade do ministro Waldez Góes”, disse o cacique Edimilson dos Santos Oliveira, presidente do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas da Região de Oiapoque. “É uma ajuda mais que humanitária.”
O que significa levar alimento a quem vive da terra?
A ação é a terceira edição do projeto e já ultrapassa 3 mil kits distribuídos, alcançando cerca de 10 mil indígenas em diferentes territórios. Em regiões onde o acesso é difícil, o alimento não chega por acaso. Ele precisa ser levado.
Além das aldeias indígenas, agricultores e pescadores também entraram no mapa da assistência. A crise não escolheu etnia nem ofício. Escolheu a raiz que sustenta todos.
Quando o cuidado vence a distância
Desde o dia 5 de dezembro, equipes da Seas estão em Oiapoque atendendo as comunidades afetadas. Para quem sai da capital, o caminho é longo; para quem espera, a demora pesa mais.

“É sempre uma alegria sair de casa para levar alimento a famílias tão distantes”, afirmou Alzivan Alves Sarmento, representante da Seas.
Entre rios, estradas e silêncios
A ajuda também chegou a agricultores e pescadores de Vila Nova e Vila Velho do Cassiporé, com a entrega de 796 kits de alimentos. A logística, custeada pelo Governo do Estado, envolve transporte, embarque e distribuição em áreas onde o mapa termina antes da necessidade.
Quando a mandioca falta, o silêncio cresce. E é nesse silêncio que o alimento chega, não como solução definitiva, mas como promessa: a de que ninguém será deixado para trás, mesmo a quase 600 quilômetros da capital.
