Em meio a palcos iluminados por shows nacionais e o burburinho de praças revitalizadas, uma dura realidade se esconde em Macapá. Um estudo divulgado na última quinta-feira (8) da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) jogou luz sobre essa face sombria: a capital amapaense ostenta o pior Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) entre todas as capitais do Brasil. Enquanto a cidade busca brilhar com eventos e obras isoladas, os indicadores de emprego e renda, saúde e educação revelam uma estagnação preocupante, colocando Macapá na lanterna do desenvolvimento nacional.

A pesquisa detalhada da Firjan analisou a fundo o cenário de desenvolvimento nos municípios brasileiros em 2023. O panorama nacional já era preocupante, com quase metade das cidades apresentando IFDM baixo ou crítico.
No entanto, o destaque negativo ficou para Macapá, que, com um IFDM de apenas 0,5662, ocupa a última posição no ranking das capitais. Esse índice alarmante escancara as deficiências estruturais que persistem na cidade, contrastando com a imagem de progresso que se tenta construir através de iniciativas pontuais.
Enquanto outras capitais da região Norte, como Boa Vista, Belém e Manaus, também figuram entre as com menor desenvolvimento, Macapá se distancia negativamente, sinalizando desafios ainda maiores a serem enfrentados. A comparação com as cidades mais desenvolvidas do país, localizadas principalmente em São Paulo e no Paraná, é gritante. A liderança de Águas de São Pedro (SP), com um IFDM de 0,8932, expõe o abismo de desenvolvimento que Macapá precisa transpor.

O economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, alerta que, apesar de uma melhora geral no índice de desenvolvimento no Brasil na última década, um número expressivo de municípios ainda se encontra em patamares preocupantes. Para Macapá, essa constatação é ainda mais grave, indicando que a capital não conseguiu acompanhar o ritmo de avanço de outras cidades, permanecendo presa a indicadores de desenvolvimento aquém do esperado para uma capital.
A liderança negativa no ranking do IFDM serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas estruturantes e de longo prazo, capazes de impulsionar o desenvolvimento em áreas cruciais e tirar Macapá dessa incômoda posição no cenário nacional.
A cortina de fumaça de eventos e obras precisa dar lugar a ações concretas que reflitam em melhorias reais na qualidade de vida da população e nos indicadores de desenvolvimento da capital amapaense.
