Empreendedores da Praça Jacy Barata, em Macapá, foram surpreendidos na manhã desta terça-feira (22) com uma ação da prefeitura e da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMac) que resultou na retirada dos carros de lanche dos ambulantes que atuavam na avenida Beira-Rio.
A medida gerou indignação entre os empreendedores, revelando um contraste entre o discurso e a prática, Nas redes sociais o prefeito fala de geração de emprego e o fortalecimento do empreendedorismo local, mas a ação na Beira-Rio sinaliza uma abordagem que parece ignorar as necessidades e a contribuição desses pequenos negócios para a economia da cidade.
Um dos empreendedores, que trabalha no local há 24 anos, gravou um vídeo que rapidamente viralizou nas redes sociais, denunciando a situação e a falta de diálogo por parte da prefeitura. Segundo ele, a categoria havia se reunido com a equipe do prefeito Furlan para discutir a implantação de um "Drive-thru" que beneficiaria tanto os vendedores quanto os clientes, mas o projeto nunca saiu do papel.
"A gente quer saber como é que vai ficar, doutor Furlan, a promessa da prefeitura com a gente aqui. A gente quer uma resposta, porque só ficou em palavra, em promessa, prefeito. A reunião que o senhor fez, um acordo com nós, fez um projeto pra construir nosso Drive-Thru e ficou apenas em palavras de político", desabafou o empreendedor no vídeo, evidenciando a frustração e a sensação de descaso da categoria.
A remoção dos carros de lanche, além de prejudicar o sustento dos trabalhadores, expõe a contradição entre o discurso de apoio ao empreendedorismo propagandeado pelo prefeito nas redes sociais e a prática da gestão municipal.
O outro lado
Em entrevista, a secretária municipal de Ordenamento Urbano, Fernanda Cabral, buscou esclarecer a operação, mencionando uma recomendação do Ministério Público referente ao horário de funcionamento e à necessidade de liberar a ciclovia após as 0h, conforme a lei municipal 027/2014. Segundo a secretária, a modalidade de trailer exige a retirada diária após o horário de comercialização, que na ciclovia seria das 16h à 0h.
"Temos que partir do ciclo da coletividade. Da mesma forma que eles têm o direito de utilizar o espaço para comercialização, os ciclistas também reivindicaram o direito de usar a ciclovia. Então, essa ciclovia precisa estar liberada após esse horário", explicou a secretária.
Apesar da justificativa da prefeitura, a ação levanta um debate sobre a forma como o poder público concilia o ordenamento urbano com o apoio aos pequenos empreendedores. A falta de diálogo prévio e a não concretização do projeto de "Drive-thru" prometido alimentam a sensação de descaso e contradição por parte dos trabalhadores da Beira-Rio, expondo uma lacuna entre o discurso oficial e a prática da gestão municipal em Macapá. O futuro desses empreendedores e a promessa de um ambiente de negócios favorável na capital amapaense permanecem incertos diante deste cenário.
