O inquérito da PF contra João Furlan reúne 1.211 páginas e levou ao afastamento do promotor de Justiça João Paulo de Oliveira Furlan, no Amapá. O caso apura suspeitas de compra de votos nas eleições de 2020 e teve início após uma abordagem da Polícia Federal no bairro Zerão, em Macapá.
O procedimento é conduzido pela Polícia Federal e tramita na Justiça Eleitoral sob segredo de Justiça. João Furlan é irmão do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, informação que consta nos autos.
A investigação começou em 6 de dezembro de 2020, durante o período eleitoral. Agentes da PF relataram uma movimentação típica de compra de votos, com pessoas se aproximando de um veículo, recebendo objetos e se afastando após a aproximação da viatura.
O carro era dirigido por Gleisson Fonseca da Silva, que passou a ser investigado. Na abordagem, foi lavrado o Auto de Apreensão nº 447/2020.
O que foi apreendido
- 💰R$ 2.500,00 em espécie
- 📱Celular Samsung Galaxy A10S
- 🗳️Santinhos do candidato Dr. Furlan (nº 23)
Não houve prisão em flagrante.
Ligação do promotor com o inquérito
Apesar de não estar no local da abordagem, João Furlan passou a integrar o inquérito por material de campanha, dados encontrados no celular do investigado e a hipótese de atuação de operador financeiro da campanha.
Uso de mensagens, PIX e registros
No celular de Gleisson foram encontrados áudios, mensagens, comprovantes de transferências via PIX e registros de cestas básicas, que passaram a integrar o conjunto probatório.
Disputa sobre validade das provas
A defesa sustenta que houve acesso ilegal ao celular, o que motivou recursos no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) sobre possível prova ilícita.
Inquérito e base legal
Mesmo sem flagrante, a PF instaurou o Inquérito Policial nº 2020.0125807, com base no artigo 299 do Código Eleitoral, que trata de corrupção eleitoral e compra de votos.
Caso chegou ao CNMP
Houve conflito entre o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Amapá, o que levou à remessa do processo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Afastamento do promotor
A Corregedoria Nacional do CNMP apontou indícios de atuação político-partidária vedada e violação de deveres funcionais, o que embasou o afastamento cautelar de João Furlan.
