O jogo mudou para quem busca recursos na Lei de Incentivo ao Esporte. Com novas regras em vigor a partir de 2026, organizações passam a ter mais oportunidades de captação, mas também enfrentam exigências mais duras para aprovação de projetos.
A mudança foi oficializada por meio de nova regulamentação federal e marca uma virada no modelo de financiamento esportivo no país, com impacto direto principalmente em regiões como Norte e Nordeste.
O que muda na prática para projetos esportivos
Entre as principais alterações, está a definição de prazos mais claros: a análise de projetos agora deve ocorrer em até 45 dias, trazendo mais previsibilidade para quem depende dos recursos.
Além disso, o limite de captação foi ampliado. Empresas poderão destinar até 2% do Imposto de Renda para projetos esportivos até 2027, com aumento para 3% a partir de 2028.
“A gestão dos recursos aprovados ficou mais flexível. Durante a execução do projeto, a organização pode fazer até dois pedidos de remanejamento de verbas”, explica Daiany França Saldanha, mentora de planejamento e captação da Rede CT.
Mais dinheiro, mas com mais exigência
Se por um lado há mais recursos disponíveis, por outro o nível de cobrança aumentou e pode barrar projetos despreparados.
Daiany chama atenção para um dos pontos mais críticos das novas regras: a exigência de experiência específica na modalidade esportiva.
“Antes, o Ministério aceitava que uma organização com histórico em futebol aprovasse um projeto em natação. Isso acabou”, destaca a especialista.
O que pode fazer um projeto ser reprovado
As novas regras deixam claro: improviso não tem mais espaço.
Entre os pontos críticos estão:
- Documentos do representante legal precisam estar atualizados e autenticados
- CNPJ deve ser recente
- Ata da diretoria não pode vencer durante a análise
- Comprovação de atuação específica no esporte
Qualquer falha nesses itens pode inviabilizar o projeto antes mesmo da análise técnica.
Mudança também altera tipo de projetos aceitos
Outra mudança importante é a exclusão de propostas voltadas à construção ou reforma de estruturas físicas.
Agora, o foco dos investimentos passa a ser exclusivamente em atividades esportivas, como formação, participação e alto rendimento.
Também há reforço no caráter social, com exigência de gratuidade e acesso para estudantes da rede pública.
Novo cenário exige profissionalização
O novo modelo aponta para um ambiente mais estruturado, mas também mais competitivo.
Organizações que não se adaptarem às exigências podem ficar de fora, enquanto aquelas que investirem em planejamento e gestão tendem a acessar mais recursos.
No fim das contas, a regra é clara: mais dinheiro disponível, mas só para quem estiver preparado.

Comentários: