Um episódio registrado pela Polícia Civil colocou no centro de uma investigação o advogado Matheus Bicca, apontado como um dos envolvidos em uma ação que resultou na retirada de quatro embarcações de uma marina no município de Santana, no Amapá.
De acordo com a Comunicação de Ocorrência Policial nº 773/2026, registrada na 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, o caso é apurado sob a natureza de “exercício arbitrário das próprias razões”, o que indica possível atuação fora dos limites legais na tentativa de resolução de um conflito. LEIA A OCORRÊNCIA POLICIAL
O que diz a ocorrência policial
Segundo o documento registrado pela vítima, ex-diretor da empresa Elinsa, um grupo de pessoas entrou em um galpão da empresa náutica Jet Marine, às margens do rio Matapi, apresentando-se como policiais civis.
Sem exibir mandado judicial ou documentação oficial, os indivíduos teriam alegado cumprir uma suposta ordem de busca e apreensão, convencido funcionários a liberar o acesso e retirado quatro embarcações do local por via fluvial.
Reconhecimento e relação prévia
Imagens de câmeras de segurança analisadas posteriormente teriam permitido à vítima reconhecer quatro advogados, entre eles Matheus Bicca, além de outros nomes citados no registro.
Segundo o relato, os profissionais já haviam prestado serviços anteriormente à empresa da qual a vítima fazia parte, o que indicaria acesso prévio a informações estratégicas, como localização e quantidade dos bens.
Entre os bens levados estão uma lancha VCAT 900 Aurora, um jet ski elétrico ORCA, um Pontoon BRP Seadoo e um bote Flexboat nº 45, avaliados em aproximadamente R$ 2 milhões, todos, segundo o registro, de propriedade da vítima.
A ocorrência também aponta que a ação foi realizada durante a ausência da vítima, que estava em Brasília acompanhando a esposa em atendimento médico.
Ausência de mandado e questionamentos legais
Ainda conforme o boletim, não há registro de processo judicial ou procedimento policial que justificasse a ação. Nenhum mandado de busca e apreensão teria sido apresentado, nem documentação oficial durante a operação.
O relato aponta ainda que os bens foram levados posteriormente ao pátio da empresa Elinsa, onde algumas embarcações teriam sofrido avarias.
Investigação pode avançar para crimes mais graves
O caso foi encaminhado à Polícia Civil do Estado do Amapá, que deverá aprofundar as investigações e ouvir os demais envolvidos.
A tipificação inicial indica “exercício arbitrário das próprias razões”, mas, a depender da apuração, o caso pode evoluir para crimes mais graves, caso sejam confirmados elementos como falsa identidade, esbulho, subtração de bens ou associação para prática ilícita.
Falta de posicionamentos oficiais
A reportagem não localizou, até o momento, manifestação oficial da empresa Elinsa do Brasil nem posicionamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o caso.
O que o caso revela
O episódio expõe os limites legais da atuação em conflitos patrimoniais e levanta questionamentos sobre o uso de prerrogativas profissionais em situações sem respaldo judicial.
Se confirmadas irregularidades, o caso pode ultrapassar um conflito entre particulares e se tornar um precedente relevante sobre possível simulação de autoridade e atuação fora dos mecanismos legais previstos.
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