Após a polêmica expulsão do prefeito Antônio Furlan do Residencial Açucena na última terça-feira (15), quando foi gravar um vídeo para anunciar a construção de uma policlínica, a Associação de Moradores do Jardim Açucena (Amorja) se manifestou por meio de nota e nas redes sociais. O presidente, Carlos Alexandre, expressou a revolta generalizada dos moradores pela ausência de consulta popular sobre a obra.
A Nota de Esclarecimento da Amorja, datada de 16 de julho de 2025, informa que a associação "não foi comunicada ou consultada sobre a obra que está sendo iniciada na Quadra 1, destinada à construção de uma Policlínica". A associação ressalta que "desconhecia o projeto e considera fundamental que obras dessa natureza sejam previamente informadas à comunidade por meio de seus representantes".
Carlos Alexandre, em sua manifestação pessoal, reforçou a indignação. "Entendo que toda e qualquer iniciativa que vise melhorar os serviços públicos é válida. Contudo, acredito que qualquer ação tomada após tantos anos de omissão já nasce com atraso. E, mais do que isso: nenhuma instituição pública (...) tem legitimidade para implantar uma obra em um bairro sem, antes, ouvir a comunidade diretamente impactada", afirmou.
Policlínica controvertida e a defasagem da UBS local
A promessa de uma policlínica, feita por Furlan durante a visita tumultuada, gerou ainda mais revolta porque, a menos de um quilômetro do local, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Lélio Silva sofre com a falta de medicamentos e atendimento de qualidade. "Se ele [Furlan] não consegue manter em funcionamento uma UBS, vai conseguir manter um centro de especialidade? Queremos escolas, coleta de lixo regular e principalmente limpeza em nosso conjunto”, protestaram os moradores, evidenciando que a prioridade da comunidade não está na construção de uma nova unidade sem antes resolver os problemas existentes.
A polêmica se estendeu às redes sociais, onde opiniões divergentes sobre o uso da área – seja para policlínica, escola, posto policial ou complexo esportivo – reforçam a necessidade urgente de diálogo e escuta coletiva.
Carlos Alexandre sugere que a Associação de Moradores realize um plebiscito local e retome as Assembleias Gerais, previstas no Estatuto, para garantir que as decisões sobre o território reflitam a vontade da maioria.
"Ninguém - absolutamente ninguém - pode impor uma decisão a uma comunidade sem antes ouvi-la. Isso está garantido na Constituição. A imposição sem escuta fere princípios básicos da gestão pública participativa", finalizou Carlos Alexandre, reforçando a possibilidade de ações jurídicas, como uma ação popular junto ao Ministério Público, para questionar a ausência de consulta pública e solicitar o embargo da obra.
