A revolta popular pelo cancelamento do show de Wesley Safadão na noite deste domingo (20) em Macapá ganha novos contornos. Enquanto a Secretaria Municipal de Cultura informou "problemas técnicos" apenas cinco minutos antes do horário previsto, a produção do cantor revelou que a verdadeira causa foi a falta de manutenção no sistema de som.
A reportagem teve acesso a uma conversa entre Wesley Safadão e um membro de sua equipe em Macapá, onde o interlocutor confirma que "o problema era questão de manutenção, que os plugs da caixa não estava funcionando". A equipe técnica tentou uma solução emergencial, como "cortar os adaptadores e plugar direito", mas a tentativa não surtiu o efeito desejado para viabilizar a apresentação.
Wesley Safadão soube do problema pela primeira vez no começo da tarde. Por volta das 19h, quando já estava a caminho do hangar para embarcar, ele foi atualizado sobre a gravidade da situação. Às 20h, o cantor aguardava em seu hangar pela autorização de decolagem, mas foi exatamente nesse momento que recebeu a confirmação definitiva do cancelamento do show. A ausência do artista em Macapá, portanto, reforça a tese de que a inviabilidade do evento era conhecida com antecedência pela organização local.
Indícios de conhecimento prévio
O cancelamento de última hora do show de Safadão não foi um incidente isolado. A reportagem apurou que os "problemas técnicos" no sistema de som não eram recentes, tendo se manifestado pela primeira vez em 13 de julho, durante a apresentação da banda Sepultura. A falta de comunicação prévia por parte da prefeitura, que poderia ter avisado a população com antecedência, transformou a espera dos fãs em frustração e revolta generalizada.
A ausência do cantor em Macapá é a principal prova de que a gestão municipal estava ciente da inviabilidade do evento. O anúncio de última hora parece ter sido uma tentativa de minimizar o impacto negativo da notícia, mas falhou miseravelmente, gerando questionamentos sobre a transparência e a eficiência da administração municipal na gestão de eventos públicos. O show foi remarcado para a próxima quarta-feira (24).
Em meio à polêmica, surge a informação de que a empresa responsável pelo sistema de som JBL, que daria suporte ao show de Safadão, é a mesma que, na última semana, venceu uma licitação da Prefeitura de Macapá no valor de R$ 59 milhões. Há suspeitas de que este equipamento, anunciado como de ponta pelo prefeito Antônio Furlan, teria sido "retificado" (melhorado) em Belém e trazido para Macapá como se fosse novo.
A sequência de fatos – desde os problemas anteriores com equipamentos, o anúncio tardio, a ausência do cantor e as suspeitas em torno da empresa de som – desenha um cenário de desorganização e possível falta de responsabilidade por parte da Prefeitura de Macapá, que agora precisa dar explicações mais claras e convincentes à população.
