O Ministério Público do Amapá (MP-AP), por meio da Promotoria do Tribunal do Júri, obteve a condenação de Yuri Farias de Souza Alves a 22 anos, 11 meses e 21 dias de prisão em regime fechado.
O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (10), presidido pelo juiz Robson Timóteo Damasceno, com atuação do promotor Júlio Luiz de Medeiros Alves Lima Kuhlmann.
O crime aconteceu em janeiro de 2020, em uma praça esportiva no bairro Zerão, em Macapá, onde a vítima Caio Nery dos Santos foi surpreendida com tiros enquanto assistia a uma partida de futebol.
Como ocorreu o homicídio de Caio Nery no Zerão?
Segundo o processo, Caio foi atingido por disparos de arma de fogo na região da nuca ao tentar fugir dos atiradores. O ataque ocorreu em via pública, em local movimentado, durante um jogo de futebol.
O caso tramitava desde 2021, reunindo provas técnicas, análise de telefonia e laudos periciais que ajudaram a reconstruir a dinâmica do crime.
Quais foram as provas que levaram à condenação?
O MP apresentou o que chamou de “tríplice convergência de provas”, envolvendo:
- Rastreamento de ERBs(antenas de telefonia)
- Geolocalizaçãodo celular do réu
- Laudos e perícias da Politec
- Testemunhaspresenciais
- Quebra de álibi
- Rompimento da tornozeleira eletrônicano dia do crime
O promotor destacou que o celular do réu foi captado no Jardim Marco Zero às 19h57, próximo ao local do homicídio, e no bairro Muca às 21h14, rota compatível com fuga.
Essas informações contradisseram totalmente a versão apresentada pela defesa.
Além disso, relatórios confirmaram que o réu rompeu a tornozeleira eletrônica exatamente no dia do crime, reforçando o planejamento.
Qual a ligação com organização criminosa?
Durante o julgamento, o MP também demonstrou que o homicídio tinha relação com organização criminosa armada. Segundo as investigações:
- O crime não teve motivação pessoal
- Havia padrão de execução semelhante a outros casos
- Integrantes de facções foram identificados em etapas do caso
- O celular e o chip da vítima foram parar nas mãos de terceiros
O promotor ressaltou que o crime foi ordenado e executado com planejamento, vigilância e fuga coordenada.
Ao anunciar a condenação, o juiz Robson Timóteo Damasceno afirmou que o crime foi cometido com premeditação e frieza, ressaltando. “A conduta do réu merece maior censurabilidade, uma vez que o crime foi praticado com planejamento prévio, utilizando motocicleta para monitorar a vítima".
