Uma imagem inusitada - que na verdade não se sabe de onde é -, e com toques de humor agitou as redes sociais e grupos de WhatsApp em Macapá: um boneco encontrado abandonado, simulando uma cena de esquartejamento, com apenas as pernas visíveis. A brincadeira ganhou contornos surreais com a "notícia" de que outras partes do boneco teriam sido achadas em diferentes pontos da cidade, gerando comentários hilários e pedidos (em tom de piada) por investigação policial.
Apesar do tom jocoso, a viralização da brincadeira serve como um alerta para a seriedade que a questão dos bebês reborn tem tomado no país. O caso macapaense, por mais bizarro que pareça, ecoa um debate que chegou ao Congresso Nacional. Nesta semana, nada menos que três Projetos de Lei (PLs) foram protocolados na Câmara dos Deputados, abordando diferentes aspectos relacionados a esses bonecos hiper-realistas.
Um dos PLs mais diretos, o 2326/2025, de autoria do deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), visa proibir qualquer tipo de atendimento técnico-profissional a bebês reborn em unidades de saúde públicas e privadas, incluindo as conveniadas ao SUS. A proibição abrangeria desde enfermagem e triagem até prescrição e encaminhamento, um reflexo de casos reais em que pessoas buscaram atendimento médico para seus bonecos hiper-realistas.
A polêmica em torno dos bebês reborn não se limita a memes e projetos de lei. O assunto já gerou disputas judiciais acirradas, como relatou a advogada e influenciadora Suzana Ferreira. Um ex-casal travou uma batalha pela guarda de uma bebê reborn que gerava lucro nas redes sociais, disputando tanto a posse do boneco quanto a administração dos perfis online. Outro caso envolveu uma cliente que buscava regulamentar a "convivência" com a boneca e impedir o acesso da ex-companheira à "filha reborn", além da divisão dos custos com o enxoval.
Apesar da natureza cômica da "cena de crime" com o “bebê reborn” esquartejado em Macapá, a viralização da imagem e os comentários bem-humorados demonstram como o tema capturou a atenção da sociedade. O caso macapaense, por mais peculiar que seja, serve como um espelho das questões complexas que envolvem afetividade, saúde mental e até mesmo direitos legais em relação a esses bonecos hiper-realistas, um debate que agora ganha força nos corredores do Congresso Nacional.
