Na manhã desta sexta-feira (20), o prefeito em exercício de Macapá, Pedro daLua, e o porta-voz da Prefeitura de Macapá, o jornalista Renivaldo Costa, reagiram à reportagem exibida em rede nacional e compartilhada ao longo do dia em sites e blogs alinhados ao ex-prefeito, que apontou suspeitas de lavagem de dinheiro e prática de rachadinha envolvendo ambos.
A grande coincidência
A reportagem foi exibida na noite do dia 18, no mesmo dia em que a Prefeitura de Macapá detalhou, em coletiva, avanços nas investigações sobre um suposto esquema na MacapaPrev.
Nos bastidores, a leitura é de que a matéria surge como contraponto à exposição do caso, sendo interpretada por integrantes da gestão como uma tentativa de mudar o foco do debate público.
Denúncia cita movimentações milionárias
Segundo a reportagem exibida em rede nacional, um Relatório de Inteligência Financeira aponta que Renivaldo Costa teria movimentado mais de R$ 5,8 milhões entre janeiro de 2018 e maio de 2023.
O valor foi classificado como atípico em relação à renda como servidor público e deu origem às apurações conduzidas a partir de comunicação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Linha de defesa: investigação arquivada
Durante coletiva, Renivaldo Costa afirmou que o procedimento foi analisado pela:
· Polícia Federal
· Ministério Público Federal
· Ministério Público Estadual
Segundo ele, após a apuração, o caso foi arquivado sem identificação de crime.
“Esse processo foi analisado por três instâncias e arquivado. Não há nenhuma acusação contra mim”, afirmou. Ele também destacou que apresentou documentos que comprovam o encerramento do procedimento.
Movimentações financeiras e explicação
Renivaldo explicou que os valores mencionados na reportagem consideram o volume total de entradas e saídas bancárias, e não renda direta. Ele explicou que parte significativa das movimentações decorre da atuação como procurador em contas de terceiros.
“Quando se fala em movimentação, se considera tudo que entra e sai da conta. Eu atuava como procurador, fazia transferências e pagamentos, isso explica esses valores”, disse.
Ele também contestou a narrativa de incompatibilidade de renda. “É muito cômodo dizer que um professor que ganha R$ 5 mil movimentou milhões, ignorando outras atividades profissionais e patrimônio declarado”, afirmou.
Linha do tempo do caso
De acordo com a própria denúncia, o caso teve início no fim de 2023, quando o Coaf identificou movimentações consideradas atípicas e encaminhou o relatório ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.
Em 2024, a Polícia Federal chegou a instaurar uma notícia-crime e produziu relatórios apontando possíveis indícios de irregularidades. No entanto, o caso foi arquivado na esfera federal em julho daquele ano, após a conclusão de que não havia irregularidades nas movimentações financeiras.
Com isso, o processo foi encaminhado ao Ministério Público do Amapá, que passou a conduzir a análise na esfera estadual, que posteriormente também arquivou a investigação.
Prefeito cobra clareza sobre desfecho
O prefeito em exercício Pedro daLua afirmou que o desfecho da investigação não foi apresentado com clareza na reportagem, que deu a entender a sociedade de que os dois estavam sendo investigados.
“O que houve foi uma apuração completa, com análise de movimentações financeiras, e o resultado foi o arquivamento. Isso precisa ser dito com clareza”, declarou
Prefeito contesta inclusão de familiar na denúncia
Durante a coletiva, Pedro daLua também afirmou que a reportagem incluiu de forma indevida a imagem de sua esposa, que, segundo ele, não tem qualquer relação com o caso e deixou claro que nem ele figurava como investigado.
“Minha esposa não tem absolutamente nada a ver com esse caso. Houve uma associação equivocada, usando a imagem dela de forma indevida”, afirmou.
Crítica à abordagem da reportagem
Renivaldo criticou a forma como o conteúdo foi apresentado ao público. “Divulgar isso sem destacar que o caso já foi arquivado induz a população a acreditar que existe uma investigação. Na verdade, requentaram uma notícia velha”, afirmou.
“Eu pedi apenas que fosse dito que o processo já estava arquivado, mas isso não foi destacado”, disse.
Contexto político e reação
Renivaldo afirmou que vê a situação como tentativa de desgaste. “O interesse foi criar um fato para desviar a atenção e atingir quem está à frente das ações da prefeitura”, disse.
Defesa pública e tom pessoal
Ao encerrar, Renivaldo fez uma defesa enfática de sua trajetória. “Meu nome nunca esteve ligado à corrupção. Minha honra e minha família não têm preço. Não vou aceitar que mentiras fiquem sem resposta”, declarou.

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