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Segunda-feira, 23 de Março 2026

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Nova Macapá recebe mais de R$ 537 mil, mas mantém ônibus parados em Macapá

Empresa cobra R$ 15 milhões por gratuidades não pagas por Furlan, mas por que parar só agora? A resposta pode não estar nos números, mas no momento e na criação do caos.

Nova Macapá recebe mais de R$ 537 mil, mas mantém ônibus parados em Macapá
Por que essa cobrança não veio antes? Por que não houve paralisação meses atrás? Por que agora?
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O dinheiro entrou. Mas os ônibus não voltaram.

Mesmo após receber mais de R$ 537 mil da Prefeitura de Macapá, a empresa Nova Macapá não normalizou o serviço, deixou parte dos trabalhadores sem pagamento completo e manteve o sistema sob ameaça de greve. O episódio, longe de ser isolado, joga luz sobre um modelo de transporte que já vinha dando sinais de desgaste e que agora cobra a conta.

Pagaram. E mesmo assim parou.

A Prefeitura fez o repasse. Outras empresas pagaram seus funcionários. A Nova Macapá, não. Quitou salários, mas deixou de fora vale-alimentação e cesta básica. Justamente o que havia sido acordado para evitar a paralisação.

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O resultado veio rápido: a categoria recuou… e depois voltou atrás e agora a greve do dia 26 segue de pé.

E mais: mesmo com dinheiro na conta, parte da frota continua fora das ruas.

Quando a conta não fecha, sobra para o passageiro

A explicação oficial aponta para “problemas operacionais”. Mas, na prática, o que se vê é outro cenário.

Se o recurso foi pago, se outras empresas conseguiram se reorganizar, por que só uma segue travada?

A pergunta não é técnica. É estrutural.

Porque quando o sistema depende de repasse para funcionar, qualquer ruído vira crise e qualquer crise vira ameaça de colapso.

Uma dívida que aparece no momento certo

A empresa diz ter a receber cerca de R$ 15 milhões. Valor ligado a gratuidades em eventos, como Expofeira e eleições, que não foram pagos pelo ex-prefeito Furlan.

Só que esse crédito nunca foi apresentado com clareza pública. Não há detalhamento aberto. Não há comprovação consolidada.

E aí entra o ponto que incomoda:

Por que essa cobrança não veio antes? Por que não houve paralisação meses atrás? 

Por que agora?

A resposta pode não estar nos números. Mas no momento.

Um sistema que já vinha rachando

Nada disso começou agora.

O transporte coletivo de Macapá já vinha dando sinais de esgotamento há anos:

  • ônibus velhos rodando além do limite
  • redução de frota
  • paralisações por falta de combustível
  • greves recorrentes
  • operação sem licitação consolidada

E no meio disso tudo, a entrada da Nova Macapá.

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Uma empresa que chegou rápido demais, com contrato questionado desde a origem e envolvida em investigação por possível fraude em processo de contratação. 

O elo com a gestão Furlan

O caso não está isolado.

A contratação da empresa e o modelo adotado no transporte passaram a ser alvo de investigação, com suspeitas que incluem fraude em licitação e uso irregular de documentos.

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Entre os citados, aparece o nome do ex-prefeito Antônio Furlan e de ex-gestores da CTMac.  Ou seja: o sistema que hoje entra em crise é o mesmo que foi estruturado sob esse modelo.

Frota velha, problema novo

Enquanto a crise avançava, a população recebia o que parecia ser solução.

Na prática, não era. Ônibus com mais de uma década de uso, vindos de outros estados, foram colocados em circulação após pintura externa.

Mudou a cor. Não mudou a idade.

O que esse colapso revela

O que está acontecendo agora não é surpresa. É consequência.

De um sistema montado sem estabilidade contratual, dependente de repasses e com pouca transparência sobre custos, dívidas e operação.

Quando uma peça falha, tudo para. E quando para, a pressão começa.

E agora?

A Prefeitura diz que os pagamentos estão em dia e que a dívida alegada não pertence à atual gestão.

A empresa cobra. Os trabalhadores pressionam. O sistema ameaça parar. No meio disso tudo, a cidade fica esperando.

No fim, a conta chega

Não no papel. Nem nas planilhas.

Chega na parada de ônibus. Chega prejudicando o cidadão.

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