Nova Macapá recebe mais de R$ 537 mil, mas mantém ônibus parados em Macapá
Empresa cobra R$ 15 milhões por gratuidades não pagas por Furlan, mas por que parar só agora? A resposta pode não estar nos números, mas no momento e na criação do caos.
Mesmo após receber mais de R$ 537 mil da Prefeitura de Macapá, a empresa Nova Macapá não normalizou o serviço, deixou parte dos trabalhadores sem pagamento completo e manteve o sistema sob ameaça de greve. O episódio, longe de ser isolado, joga luz sobre um modelo de transporte que já vinha dando sinais de desgaste e que agora cobra a conta.
Pagaram. E mesmo assim parou.
A Prefeitura fez o repasse. Outras empresas pagaram seus funcionários. A Nova Macapá, não. Quitou salários, mas deixou de fora vale-alimentação e cesta básica. Justamente o que havia sido acordado para evitar a paralisação.
O resultado veio rápido: a categoria recuou… e depois voltou atrás e agora a greve do dia 26 segue de pé.
E mais: mesmo com dinheiro na conta, parte da frota continua fora das ruas.
Quando a conta não fecha, sobra para o passageiro
A explicação oficial aponta para “problemas operacionais”. Mas, na prática, o que se vê é outro cenário.
Se o recurso foi pago, se outras empresas conseguiram se reorganizar, por que só uma segue travada?
A pergunta não é técnica. É estrutural.
Porque quando o sistema depende de repasse para funcionar, qualquer ruído vira crise e qualquer crise vira ameaça de colapso.
Uma dívida que aparece no momento certo
A empresa diz ter a receber cerca de R$ 15 milhões. Valor ligado a gratuidades em eventos, como Expofeira e eleições, que não foram pagos pelo ex-prefeito Furlan.
Só que esse crédito nunca foi apresentado com clareza pública. Não há detalhamento aberto. Não há comprovação consolidada.
E aí entra o ponto que incomoda:
Por que essa cobrança não veio antes? Por que não houve paralisação meses atrás?
Por que agora?
A resposta pode não estar nos números. Mas no momento.
Um sistema que já vinha rachando
Nada disso começou agora.
O transporte coletivo de Macapá já vinha dando sinais de esgotamento há anos:
ônibus velhos rodando além do limite
redução de frota
paralisações por falta de combustível
greves recorrentes
operação sem licitação consolidada
E no meio disso tudo, a entrada da Nova Macapá.
ff
Uma empresa que chegou rápido demais, com contrato questionado desde a origem e envolvida em investigação por possível fraude em processo de contratação.
O elo com a gestão Furlan
O caso não está isolado.
A contratação da empresa e o modelo adotado no transporte passaram a ser alvo de investigação, com suspeitas que incluem fraude em licitação e uso irregular de documentos.
Entre os citados, aparece o nome do ex-prefeito Antônio Furlan e de ex-gestores da CTMac. Ou seja: o sistema que hoje entra em crise é o mesmo que foi estruturado sob esse modelo.
Frota velha, problema novo
Enquanto a crise avançava, a população recebia o que parecia ser solução.
Na prática, não era. Ônibus com mais de uma década de uso, vindos de outros estados, foram colocados em circulação após pintura externa.
Mudou a cor. Não mudou a idade.
O que esse colapso revela
O que está acontecendo agora não é surpresa. É consequência.
De um sistema montado sem estabilidade contratual, dependente de repasses e com pouca transparência sobre custos, dívidas e operação.
Quando uma peça falha, tudo para. E quando para, a pressão começa.
E agora?
A Prefeitura diz que os pagamentos estão em dia e que a dívida alegada não pertence à atual gestão.
A empresa cobra. Os trabalhadores pressionam. O sistema ameaça parar. No meio disso tudo, a cidade fica esperando.
No fim, a conta chega
Não no papel. Nem nas planilhas.
Chega na parada de ônibus. Chega prejudicando o cidadão.
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