O mês de julho termina com a pergunta: quem mandou executar Reginaldo e Rogeth? Os dois, cuja vida nunca se cruzou, atravessaram o Rio Amazonas sem saber que o bilhete de volta seria substituído por uma lápide.
Reginaldo Costa Ferreira, 20 anos, nascido em Afuá (PA) veio a Macapá para tratar da saúde e não voltou para casa. Foi visitar a irmã na área de pontes do Congós e lá foi executado.
Três homens surgiram das sombras. Chamaram por ele e o levaram até o fim da ponte onde lhe deram a sentença: cinco tiros na cabeça e quatro facadas no peito.
Quatro dias antes, em 19 de julho, do bairro Araxá, Rogeth Cardoso de Souza, 29 anos que estava há quatro dias na capital, também foi executada. Ela trazia na bagagem poucos pertences e, talvez, alguma esperança de recomeço. Mas recomeço é palavra que não se conjuga em territórios dominados por facções. Oito tiros silenciaram o corpo de Rogeth. Três deles na cabeça..
Ambos tinham em comum o fato de não serem de Macapá. Estavam há pouco tempo na cidade e morreram em locais onde impera a lei do silêncio. Áreas onde as regras não estão no Código Penal, mas no caderno de recados das facções.
A polícia investiga. A família chora. A vizinhança finge que não viu. E o 190 segue aguardando alguém com coragem suficiente para quebrar o ciclo e fazer a denúncia.
Reginaldo queria apenas voltar pra casa. Rogeth, talvez, construir uma nova vida. Ambos, agora, estão no mesmo lugar: o esquecimento apressado da cidade que assiste à morte como quem assiste ao pôr do sol - com resignação e silêncio.
Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 190.
